Cooperativas faturam R$ 16,5 bi em 2005
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
<br> Reportagem Local 
Na maioria das cooperativas paranaenses, a sequência de bons resultados dos últimos quatro anos não se confirmou em 2005. Redução da safra por questões climáticas, queda dos preços internacionais dos produtos exportados e desvalorização do real em relação ao dólar foram alguns dos fatos econômicos que marcaram o ano.
O faturamento bruto do sistema cooperativista fechou 2005 em R$ 16,5 bilhões, o que equivale a 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná. O resultado é considerado positivo diante do cenário de dificuldades vivenciado durante ao ano.
Apesar da crise, a projeção de investimentos das cooperativas para médio e longo prazo não deverá ser afetada. Até 2010 os investimentos previstos são da ordem de R$ 3,5 bilhões. Em 2005, o segmento investiu R$ 500 milhões - a estimativa no início do ano previa R$ 800 milhões - principalmente em agroindústria, infra-estrutura e armazenamento.
Apesar das perspectivas negativas para o setor, foi comprovado o aumento no número de cooperados no Estado. Em 2005, foram 50 mil novas adesões, totalizando 403 mil cooperados nas cooperativas paranaenses. Também foram gerados mais quatro mil empregos, ampliando para 50 mil os postos de trabalho criados pelo sistema em todo o Estado.
O segmento de crédito foi o que teve a maior expansão no ano passado. De acordo com João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o setor tem hoje mais de 260 mil cooperados e movimentou R$ 1,65 bilhão em 2005, alta de 10% em comparação a 2004. ''Num momento de dificuldades, as cooperativas de crédito desempenham função fundamental, criando condições diferenciadas de financiamento para a produção'', explica.
Já as exportações, próximas a US$ 1 bilhão em 2004, caíram para US$ 650 milhões no ano passado. Segundo Koslovski, entre as perdas causadas pela estiagem, com quebra de seis milhões de toneladas na safra, e a sobrevalorização do real ante o dólar provocaram retração de 30% no faturamento gerado pelas remessas internacionais. De acordo com o presidente da Ocepar, a situação também foi agravada pela falta de política agrícola, escassez de crédito e taxas elevadas de juros.
''A leitura da crise precisa apontar em direção à retomada do crescimento'', afirma Koslovski. Segundo ele, entre as metas da Ocepar para 2006 estão a busca de novas alternativas de crédito e capitalização, além da profissionalização do sistema. ''Na esfera política, investiremos no programa de capitalização das cooperativas e na resolução de impasses tributários'', conclui.


