"Esperamos uma safra muito boa se o clima ajudar", afirma Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Ao todo, 65% da área semeada com trigo no Estado são de produtores cooperados. Turra destaca que a grande preocupação a partir de agora é com os preços baixos da commodity, já que os insumos foram adquiridos com preços mais elevados se comparados aos da safra anterior.
"O produtor adquiriu os insumos com uma alta taxa cambial. Se o dólar baixar muito daqui por diante, a situação pode ficar mais difícil para o triticultor." Turra completa que os preços dependem do mercado externo, por isso a preocupação com a oscilação do câmbio.

Resultado
A cooperativa Integrada de Londrina espera receber nesta safra 300 mil toneladas de trigo, 10 mil a mais em relação à temporada 2013/14. Mas não é só no aumento da produção que a cooperativa tem trabalhado. A qualidade do trigo que irá ser processado também é uma preocupação. João Bosco de Souza Azevedo, gerente de divisão comercial da Integrada, afirma que o mercado tem visto com bons olhos o fato do produtor focar na qualidade de seu produto para atender a demanda das indústrias de panificação.
No Paraná, de acordo com dados da Ocepar, 99% da produção de trigo tem potencial de pão melhorador. Esse percentual pode ser reduzido se houver chuvas excessivas em algumas regiões. Elevada umidade compromete a qualidade do cereal. "O produtor enxergou o clamor da indústria", observa o gerente da cooperativa. Hoje, segundo Azevedo, o trigo paranaense seguramente dá conta de atender também com qualidade o mercado do Estado e de São Paulo.
O trabalho da cooperativa junto aos produtores é bastante profissional. O primeiro passo para conseguir um trigo de alta qualidade é fazer a segregação do material genético, utilizando materiais voltados para trigos melhoradores. "Só compramos produtos com certificado de origem, separando-os por grupos de variedades", salienta Azevedo.
O gerente da Integrada só lamenta os baixos preços pagos por esses produtos de alta qualidade. Segundo ele, o anúncio da ministra da agricultura, Kátia Abreu, que elevou o preço mínimo em 4,5% para a safra 2015/16, cotado agora em R$ 580 a tonelada, não é o suficiente para cobrir os investimentos dos agricultores que aplicaram em qualidade.

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