Cooperativas em estado de alerta
As cooperativas paranaenses também começam a contabilizar os prejuízos devido ao forte calor e seca, entretanto, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) aguarda os números oficiais que serão divulgados pelo Deral antes de fazer qualquer análise.
O gerente técnico econômico da entidade, Flávio Turra, comenta que a situação da região Oeste é a menos grave, já que a colheita de soja está bem avançada e já focada no milho safrinha. Já as regiões Norte, Sudoeste e, principalmente, Sul (por ser a área com o plantio mais tardio) são as mais preocupantes. "Ainda é cedo para falarmos em valores, mas sabemos que o que está acontecendo agora certamente vai afetar toda a cadeia, do produtor ao consumidor. Fica a nossa preocupação com a continuidade do calor, que vai se arrastando e aumentando as perdas."
Na Cooperativa Integrada, por exemplo, se a expectativa dos sojicultores cooperados era colher 55 sacas por hectare antes do calor intenso das últimas semanas, agora 35 a 40 sacas por hectare já é considerado um resultado muito bom. O gerente técnico da cooperativa, Irineu Baptista, explica que a situação ficou mais crítica nos últimos 15 dias. "Em janeiro, calculávamos produção cheia e relativa normalidade. Agora, encontramos lavoura a 60ºC que entrou em colapso, pelo calor e falta de umidade no solo."
Baptista lamenta ainda mais a situação porque essa soja que seria colhida entre fevereiro e início de março era considerada "de primeira" pela cooperativa. "A diferença de uma semana de plantio entre um ciclo e outro fez toda a diferença. Tem alguns produtores nossos que colheram bem e outros com quebra de 50%. Não há o que fazer, a não ser esperar a chuva, principalmente nas áreas plantadas no final de outubro, como Mauá da Serra e Ibaiti, que ainda têm capacidade de recuperação."
Na avaliação da Integrada, o clima de fevereiro está bem pior do que a estiagem que assolou as lavouras em dezembro do ano passado. Isso porque parou de chover no momento mais crítico do ciclo. "Temos de 3 a 4 mil produtores no Norte do Estado e todos estão passando por algum tipo de problema. É um dinheiro que está evaporando, que geraria mais empregos e renda a toda a cadeia."
A situação do milho safrinha também é de alerta. O grão plantado em janeiro emergiu com a umidade no limite. Em outros locais, a planta nem chegou a sair da terra. "Precisamos de precipitação urgentemente para recuperar a umidade para a safra de inverno. Cerca de 35% a 40% da produção de milho da cooperativa está no Oeste, que foi semeado bem cedo." (V.L.)





