Sete cooperativas paranaenses se uniram para ampliar a industrialização da soja no Estado e agregar valor à produção de seus cooperados. Representantes da Frísia, Agrária, Bom Jesus, Capal, Castrolanda, Coasul e Integrada apresentaram nesta segunda-feira (17) o projeto da Esmagadora Campos Gerais ao governador Ratinho Junior durante uma reunião no Palácio Iguaçu.

O investimento total previsto é de R$ 1,7 bilhão, incluindo a aquisição do complexo industrial, sua modernização e revitalização, um novo complexo de armazenagem de farelo de soja e conformidade da estrutura às normas regulamentadoras.

A unidade tem capacidade de processamento de 3,4 mil toneladas de soja por dia, o equivalente a 1,1 milhão de toneladas por ano. Na prática, a esmagadora vai viabilizar a verticalização da produção das cooperativas, com atuação desde o recebimento da matéria-prima até a industrialização e comercialização dos produtos derivados.

“É um grande momento para o agronegócio, para Ponta Grossa e para o Paraná porque esse investimento vai atender dezenas de cidades e produtores rurais, não só dos Campos Gerais, mas também do Norte, Norte Pioneiro, Centro-Sul e Sudoeste, com capacidade para esmagar 3,4 mil toneladas de soja por dia”, afirmou Ratinho Junior. “Isso é valor agregado, industrialização do agronegócio e geração de emprego, tudo o que nós estamos trabalhando desde o primeiro dia do nosso governo.”

“É também a primeira vez na história do Brasil que sete cooperativas ligadas ao agronegócio se juntam para fazer um projeto em conjunto. Tenho certeza de que esse é o primeiro passo, uma novidade que marcará o início de uma transformação no meio cooperativista no País, com o Paraná sendo pioneiro nesse processo”, acrescentou o governador.

A esmagadora terá como foco a produção de óleo de soja degomado, destinado em grande parte à fabricação de biocombustíveis, e farelo de soja voltado tanto ao mercado interno quanto à exportação. Também serão produzidos outros produtos como lecitina e casca de soja, utilizados em indústrias de alimentos destinados ao consumo humano e à nutrição animal.

Localizada em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a esmagadora ocupa um terreno de 58 hectares e tem estrutura área de recepção; beneficiamento e armazenamento de grãos, com capacidade estática de 300 mil toneladas; área de preparação da soja; extração de óleo e farelo; degomagem e envase de lecitina; e refinaria.

A Esmagadora Campos Gerais pertencia à multinacional francesa Louis Dreyfus Company (LDC) e foi adquirida no início de 2026, com as cooperativas assumindo o controle da unidade em agosto. Como já estava em operação, os cerca de 200 empregos diretos serão mantidos, com a Frísia sendo responsável pela liderança da gestão do empreendimento.

O presidente do Conselho Administrativo da Frísia, Geraldo Slob, destacou o fato de, com a aquisição da planta, os recursos passarem a ficar no Estado. “Nós chamamos de ‘nacionalização’ dessa planta porque tudo o que nós formos produzir, o que nós formos tirar de resultado dessa indústria, ficará no Paraná e será reinvestido. Não temos uma sociedade ou uma proprietária lá fora. Os proprietários estão aqui, são as cooperativas e os seus cooperados”, ressaltou. “É uma economia quase que circular dentro do Estado.”

“Essa intercooperação é a maior não só do Paraná, mas do Brasil e uma das maiores do mundo. É uma intercooperação em que uma cooperativa como a nossa, proprietária da esmagadora, se junta aos seus pares, mostrando mais força no fomento da produção e no resultado aos cooperados. Fizemos questão de apresentar ao governador, que fez um governo parceiro do agro, da infraestrutura e que entendeu as cooperativas. Nada mais justo do que, quase fechando esse governo de sucesso, podermos trazer essa notícia para o Estado”, finalizou.

COOPERAÇÃO

A atuação conjunta na Esmagadora Campos Gerais representa uma intercooperação inédita em número de cooperativas. Juntas, elas reúnem um faturamento de cerca de R$ 47 bilhões, 57 mil cooperados, 16 mil colaboradores, 2,1 milhões de hectares plantados e R$ 1,8 bilhão de resultados, atingindo 111 municípios paranaenses pela intercooperação. A esmagadora marca a primeira iniciativa conjunta voltada ao processamento de soja para a cadeia de biocombustíveis.

Parcerias do tipo já foram realizadas, por exemplo, no caso da Maltaria Campos Gerais, que uniu Agrária, Bom Jesus, Capal, Castrolanda, Coopagrícola e Frísia para produzir até 240 mil toneladas de malte por ano. A Frísia e a Castrolanda também uniram suas produções de sementes de soja, trigo, feijão e cevada. Outro projeto vencedor é a Frimesa, que reúne Copagril, Lar, C.Vale, Copacol e Primato no setor alimentício.

Para o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, esse modelo de intercooperação representa o que há de mais moderno no cooperativismo brasileiro. “Antigamente, as cooperativas se juntavam e criavam uma central. Agora, elas filiam entre si e geram um negócio, uma oportunidade que interessa ao produtor. O modelo de integração horizontal, adotado pela Esmagadora Campo Gerais, é muito semelhante ao que foi feito na Maltaria Campos Gerais e também na Unium, algo já consagrado. É o modelo mais inteligente de integração entre as cooperativas”, disse.

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