Das 3,6 milhões de toneladas de trigo esperadas na safra paranaense, em torno de 65% devem ser absorvidas pelas cooperativas do agronegócio. Seis moinhos devem trabalhar na industrialização de um milhão de toneladas, algo em torno de 38% da produção total do Estado.
Para o gerente técnico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, a perspectiva é que o produtor receba em torno de R$ 42 pela saca do produto no momento da colheita, entre setembro e outubro. "Tudo isso vai depender da taxa de câmbio e do tamanho da safra. Com certeza, o produto da Argentina pode pressionar os preços para baixo no início de 2017."
Segundo números do Deral, o valor médio da comercialização do trigo em abril fechou em R$ 40,8 a saca, alta de 18,9% em relação aos R$ 34,3 a saca do mesmo período do ano passado. Em maio, o valor da saca já atingiu a marca de R$ 42. "No que diz respeito à qualidade, acredito que a commodity produzida no Estado tem atendido bem as indústrias, inclusive das cooperativas, com bom potencial genético das plantas. No ano passado, a chuva acabou afetando o falling number (índice de queda) do trigo paranaense."
A Cooperativa Integrada, com sede em Londrina e entrepostos por diversas regiões do Estado, espera receber este ano em torno de 300 mil toneladas de trigo, volume 25% superior ao valor de 240 mil toneladas do ano passado. "Na safra anterior, tivemos muitos problemas climáticos, como períodos de seca em abril, doenças, chuva na colheita e até vento e granizo", explica o gerente técnico da cooperativa, Irineu Baptista.
Já o momento atual é bem mais estável, com a lavoura se desenvolvendo plenamente. "O plantio praticamente aconteceu dentro da janela, com um pouco de atraso, de abril para maio." Em relação aos valores de comercialização, boa parte dos cooperados já travaram os negócios em relação a contratos de permuta, como de insumos, por exemplo. "Acredito que os preços podem permanecer nos patamares atuais, entre R$ 40 e R$ 42 a saca", finaliza o gerente. (V.L.)

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