Agregar valor à produção é palavra de ordem quando o objetivo é aumentar a rentabilidade do negócio. E a possibilidade de obter maior participação num importante nicho da economia brasileira leva as cooperativas a investir maciçamente no processamento dos produtos que recebe dos associados. A opção pela agroindústria leva naturalmente ao aumento do número de empregos no setor.
Os altos investimentos feitos em novas plantas no rol de atividades das cooperativas e a tendência de ampliação para 2010 devem elevar em 6 mil o número de postos de trabalho no Paraná. ''O cooperativismo paranaense está bastante otimista em relação a 2010. Acreditamos que as cooperativas poderão crescer 10% em movimentação econômica e repetir o investimento de R$ 1 bilhão efetivado no ano passado, especialmente em infraestrutura e agroindústrias'', afirma João Paulo Koslovski, presidente do Sistema Ocepar, que representa as cooperativas paranaenses.
Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Ocepar, afirma que o aumento do faturamento em 2010 para cerca de R$ 27,5 bilhões é o maior da história do cooperativismo no Paraná. Segundo a Ocepar, as 237 cooperativas vão contabilizar em 2009 uma movimentação de R$ 25 bilhões, mantendo o mesmo nível de faturamento registrado em 2008. Naquele ano, o setor atingiu uma receita recorde, ao superar em 37% o montante alcançado em 2007.
O bom desempenho, estimado em função das perspectivas econômicas do Brasil e do mundo, certamente irá refletir na geração de empregos, como acredita Koslovski. No ano passado as cooperativas tinham 57 mil pessoas em seus quadros de funcionários.
Os investimentos resultaram em novas plantas e a expectativa é de que haja novas contratações. A Cooperativa Agroindustrial (Corol), de Rolândia, por exemplo, inugurou no ano passado um moinho de trigo. O empreendimento custou R$ 30 milhões, obtidos com apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ''O moinho fortalece a tendência de verticalização do setor, para atuar em toda a cadeia produtiva, do plantio à industriaização'', diz Eliseu de Paula, presidente da Corol. A unidade tem 12 mil metros de área construída, distribuídos em sete andares, ambiente climatizado e pressurizado, com laboratório, panificadora experimental e auditório.
O complexo avícola da Cooperativa Vale, de Palotina, emprega atualmente 3,5 mil pessoas para o abate e processamento de 310 mil aves por dia, número que deverá chegar aos 500 mil, de acordo com a expectativa do presidente da entidade, Alfredo Lang. ''Isso vai significar ainda mais oportunidades de trabalho, negócios e desenvolvimento econômico e social para toda a região'', avalia. A Vale exporta aves para 45 países, como Alemanha, Holanda, Inglaterra, China e Japão.
A Coasul, situada no município de São João (Região Sudoeste), amplia o rol de atividades com a instalação de um frigorífico de aves e ampliação da fábrica de rações. De acordo com a assessoria de imprensa da cooperativa, a nova planta industrial poderá gerar cerca de 1,2 mil empregos diretos nos próximos anos, quando as unidades atingirem a capacidade total de produção. O frigorífico terá capacidade de abater 160 mil aves por dia e a fábrica poderá produzir 17 mil toneladas de ração ao mês. A cooperativa está destinando R$ 150 milhões aos novos empreendimentos.
Com investimentos de R$ 164 milhões, A Cooperativa Agrária, de Guarapuava, elevou em 60% a capacidade da maltaria, instalada no distrito de Entre Rios. A produção de malte passou de 140 mil toneladas para 220 mil toneladas ao ano, o que faz da fábrica a maior do segmento no Brail e uma das maiores do mundo. A previsão da direção é que a cooperativa responda em 2010 por 20% do mercado nacional de malte, o que representa um crescimento de 1% em relação ao ano passado.
A Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel) ampliou as atividades com a inauguração de uma nova fábrica de fertilizantes. Com 13 mil metros de área construída, a indústria tem capacidade para misturar 100 toneladas de adubo por hora, e de armazenar 50 mil toneladas de matéria-prima, volume três vezes maior que o da antiga unidade. O empreendimento exigiu investimento de R$ 20 mihões entre os anos de 2008 e 2009.

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