A Corol, Cooperativa Agropecuária de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), que já mantém a indústria de suco concentrado de laranja, vai aproveitar a entressafra de laranja para fazer também suco de uva. O projeto, aos moldes do que já funciona com a laranja, será de integração com produtores da cooperativa, para fabricação de suco concentrado que será vendido nos mercados interno e externo.
A cooperativa está fazendo o levantamento de intenção de plantio dos produtores nas suas 17 filiais na região Norte do Paraná. O objetivo é fazer um cultivo de 350 hectares com o uso de 1.500 mudas inicialmente. Toda a produção deverá ficar concentrada em pequenas áreas, entre 1 a 5 hectares.
As novas mudas de uva serão implantadas já no mês que vem e serão fornecidas pelas Embrapas de Caxias do Sul (RS) e Jales (SP), além do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Segundo o agrônomo Nelson Takahashi, da Corol em Cornélio Procópio, região que deverá concentrar o maior número de cultivo, o cronograma será o seguinte: implantação de mudas em julho de 2002, enxertio em 2003 e primeira colheita em julho de 2004. ‘‘São dois anos e meio para a primeira produção a partir da implantação da muda,’’ explica.
O agrônomo garante que o projeto deverá envolver mais de 200 produtores, 60% deles já são produtores de uva fina de mesa das variedades Itália e Rubi. ‘‘Esses produtores têm encontrado dificuldades na comercialização como calotes dos compradores e, por isso, têm demonstrado o interesse em participar da integração,’’ disse Takahashi.
O agrônomo garante que a nova variedade de uva a ser implantada ‘‘é mais rústica e parecida com a niágara, menos susceptível à doenças é mais fácil de ser manejada. Além disso traz um forte apelo comercial porque demanda menos agrotóxicos.’’
O projeto deverá resultar inicialmente com uma produtividade de 25 toneladas de uva por hectare (ha) ou 25 mil quilos de uva, o que o agrônomo da Corol considera o suficiente para abastecer a indústria na produção de suco.
A expectativa de preço, de acordo com o agrônomo, é de R$ 0,30 por quilo e deverá proporcionar renda de R$ 7.500 por hectare/por safra (que dura cinco meses). A renda líquida deverá ser de R$ 3.900/ha/safra. ‘‘É uma alternativa para o produtor aumentar sua rentabilidade.’’
Por enquanto a fabricação de suco de uva deverá usar a indústria na entressafra da laranja. A colheita de laranja começa em maio e vai até novembro. Na produção de uva para suco os produtores fazem a poda do parreiral em julho e colhem em dezembro. Com isso, a indústria será utilizada durante o ano todo, alternando a produção de sucos nos dois sabores. Se houver maior adesão ao plantio de uva para suco a cooperativa pode até ampliar a capacidade industrial, já que esse tipo de uva pode render até duas safras no ano. O projeto de integração, garante o agrônomo, permitirá a participação direta dos produtores na tomada de decisões sobre a produção industrial.
Segundo o agrônomo o produtor que aderir não terá que fazer muitos investimentos já que poderá aproveitar o parreiral existente na propriedade. ‘‘Neste tipo de produção o maior custo é exatamente na construção dos parreirais com os palanques e arame. A cooperativa vai repassar o custo da muda para o produtor num total de R$ 0,20 a unidade.’’
A fábrica de sucos de laranja da Corol foi inaugurada em outubro do ano passado e tem capacidade para fazer 10 mil toneladas de suco. Nessa safra de laranja que está sendo colhida a expectativa é processar 1,5 milhão de caixas para fabricar o suco concentrado, com 6 mil toneladas aproximadamente, e comercializar mais 300 mil caixas de frutas in natura em todo o Sul do País.

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