Paulo Pegoraro
Estimulada pela abertura de novos mercados para a carne de frango, a Cooperativa Mista Agrícola Vale do Piquiri (Coopervale), de Palotina no Oeste do Paraná, de 5,7 mil associados, está deflagrando a segunda etapa de seu projeto avícola, para dobrar a força de produção, no campo e na etapa de industrialização.
O abate passará para 150 mil cabeças de frango ao dia, a partir da implantação de mais 100 aviários, já iniciada, e que se somarão aos 125 em operação. ‘‘O resultado final será otimização ainda maior da economia regional’’, observa o presidente da Coopervale, Alfredo Lang, lembrando que o ICMs a ser gerado chegará a R$5,3 milhões anuais.
O imposto é rateado entre os municípios onde os frangos são produzidos, sistemática aplicada desde o ano passado, quando começou a operar o complexo avícola. Normalmente, o ICMs é centralizado no município-sede da empresa. No projeto foram investidos inicialmente R$65 milhões, incluindo a parte dos avicultores.
O frigorífico, que tem área construída de 16,7 mil metros quadrados e custou R$25 milhões, permite o aumento no número de cabeças abatidas (atualmente 75 mil). A estimativa de Alfredo Lang é de que o faturamento global da cooperativa no setor passará de R$35 milhões para R$75 milhões.
EmpregosOs empregos diretos (hoje 480) passarão a ser 830, e, no campo, passarão de mil para dois mil, basicamente, com mão-de-obra familiar. Muitos municípios dependem hoje da atividade, porque ela é praticada geralmente por pequenos produtores rurais, como principal alternativa de renda.
‘‘Com a duplicação da força de produção, igualmente as atividades urbanas serão estimuladas nos municípios’’, observa Alfredo Lang, relatando que os produtores que queiram implantar os 100 aviários previstos contam com financiamento facilitado, já viabilizado pela cooperativa junto a agentes financeiros.
Unidades industriais, operando ou em implantação, caracterizam o Oeste do Estado como um dos principais pólos avícolas do País, com abate diário próximo a 1 milhão de cabeças (incluindo abatedouros menores). Além de gerarem milhares de empregos, as indústrias e os complexos em torno delas alimentam a economia rural, com o sistema de integração de aviários. Muitos municípios dependem hoje da atividade, porque ela é praticada geralmente por pequenos produtores rurais, como principal alternativa de renda.
AmpliaçãoA maior parte das indústrias já ampliaram ou estão ampliando a capacidade de abate. Além da Coopervale, a Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), de Cascavel, com 3,5 mil associados, atingiu no final do ano passado, com muita antecedência em relação ao previsto, a meta de abater 140 mil frangos ao dia. No frigorífico há mil pessoas empregadas, e igual número de forma indireta. Segundo o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, o ano deve ser fechado com faturamento de R$72 milhões decorrente do frango, e gerados cerca de R$4,8 milhões de ICMS.
Ainda em Cascavel, a indústria que era operada inicialmente pelo grupo catarinense Chapecó, está abatendo sessenta mil cabeças de frango, depois de longo período de inatividade, decorrente de crise financeira que envolveu a organização.
O abate havia sido suspenso em dezembro de 97, quando havia chegado a 100 mil cabeças, e com emprego para mil pessoas - agora, são 260 funcionários. A reativação foi possível através de parceria, com a Chapecó (sendo remunerada pelo abate) e a Sadia, que comercializa a produção (a maior parte exportada). A empresa local Globoaves fornece os pintainhos para os aviários.
ExportaçãoA Sadia opera em Toledo o maior frigorífico de frango do País, com abate diário de 350 mil cabeças, a maior parte destinada à exportação. Na unidade são gerados 1,6 mil empregos, dos cerca de 4 mil gerados em todo o complexo industrial da empresa.
A Sadia foi a pioneira, na região, do sistema de integração para a produção de aves (e suínos), seguindo experiência de Santa Catarina, onde a empresa se originou (na cidade de Concórdia). Pelo sistema, os produtores recebem os pintainhos para engorda e todo tipo de assistência, tornando-se fornecedores exclusivos da empresa.
Em Cafelândia, a Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol), com 4,5 mil associados, abate 135 mil cabeças ao dia e emprega em seu frigorífico 1,7 mil pessoas (mais 2,5 mil indiretamente). O presidente, Valter Pitol, relata que 70% dos frangos são repartidos em cortes selecionados (destes, 20% são destinados à exportação), e parte da carne passa a ser utilizada para a produção de derivados.
A Copacol está iniciando a duplicação do complexo avícola, para abater 200 mil cabeças, e chegar a 260 mil no ano 2002. Pitol observa que isso permitirá aumentar as exportações e a produção de derivados.
A Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras (Cotrefal), de Medianeira, com 4,4 mil sócios, prepara-se para inaugurar um frigorífico que abaterá inicialmente 70 mil cabeças, passando a seguir para 140 mil, mas com possibilidade de chegar a 280 mil cabeças ‘‘se o mercado comportar’’, relata o presidente, Irineo da Costa Rodrigues.
Na primeira etapa, serão gerados diretamente mais de 700 empregos. O investimento global, incluindo a parte dos avicultores, é de R$48 milhões, dos quais R$14,3 milhões na indústria. A Cotrefal deve faturar ainda este ano R$7,5 milhões no setor, passando a R$43 milhões no próximo ano.Muitos municípios do Oeste do Paraná dependem hoje da exploração do complexo avícola, que gera emprego e renda
Almir TrevisanCrescimentoComplexo abatedouro da Coopervale em Palotina vai dobrar sua produçãoEdson MazzettoA Coopavel já atingiu a meta de abate de 140 mil frangos/dia

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