Neste primeiro sábado do mês de julho, aproximadamente 800 milhões de cooperados celebram o 80º Dia Internacional do Cooperativismo. Como legítimos representantes das cooperativas paranaenses, temos o orgulho de levar à sociedade algumas observações sobre a importância deste movimento mundial.
O cooperativismo no mundo foi o resultado de vários estudos e experiências de intelectuais e trabalhadores contra a opressão do capitalismo, no período da Revolução Industrial, que culminou com a constituição, em 1844, da Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale, na Inglaterra.
A maioria dos 28 integrantes do grupo que constituiu a cooperativa trabalhava nas tecelagens. Ganhavam tão pouco que precisaram economizar durante um ano, uma libra cada um, para reunirem os recursos necessários para montar um armazém, para venda às famílias dos cooperadores de alguns poucos produtos básicos de alimentação, como chá, açúcar e farinha.
À época, os trabalhadores buscavam alternativas para sair da miséria, num quadro econômico difícil. A cooperativa de consumo, no entanto, permitiu aos associados aquisição dos alimentos essenciais a um custo significativamente inferior, de tal forma que o movimento tornou-se um símbolo de libertação econômica.
Fundamentado na organização dos trabalhadores para solucionar os mais diferentes problemas, como alimentação, habitação, trabalho e crédito, o cooperativismo encontrou campo fértil para crescer num mundo em processo de industrialização que facilitava a concentração do poder econômico, enquanto a maioria não via perspectivas para aproveitar dos benefícios deste desenvolvimento. A cooperação, a solidariedade e a auto-ajuda, ideais defendidos pelo movimento cooperativista, surgiu como eficaz alternativa para solução dos problemas desta parcela da sociedade.
E qual a razão do sucesso do cooperativismo em todo mundo? Os seus princípios internacionais são adesão livre e voluntária, a gestão democrática, a participação econômica, a autonomia, a educação, o apoio à comunidade, a formação e informação e a intercooperação. Essas características são uma das razões principais da universalização do cooperativismo que, assim, superou as barreiras dos idiomas, dos credos, dos regimes políticos e econômicos, contribuindo para reduzir a pobreza através de empreendimentos que só poderiam ser viabilizados por grupos de pessoas.
É preciso avaliar a presença e os resultados do cooperativismo no Paraná, um Estado cujo desenvolvimento continua alicerçado na produção agropecuária. Muitas lideranças têm afirmado que o Paraná é o Estado mais cooperativista do País, pois aqui se encontram algumas das maiores e mais sólidas cooperativas do Brasil. A ideologia cooperativista foi trazida ao Paraná pelos imigrantes (poloneses, alemães, italianos, holandeses, ucranianos, japoneses e outros) e seus descendentes que aqui se instalaram.
As cooperativas do ramo agropecuário existem há mais tempo e em maior número. Outros ramos tiveram expressivo crescimento nos últimos anos, especialmente as cooperativas de saúde, de crédito e de trabalho.
Todos os ramos vêm dando sua contribuição para a solução dos problemas de seus respectivos setores, como na área da infra-estrutura, consumo, habitação e transporte. Há um novo ramo surgindo, o de turismo, que tem um enorme potencial de crescimento. O ramo educacional, sem dúvida, é uma ótima opção de melhoria de ensino e redução de custos das mensalidades escolares.
Alguns ramos se destacaram quanto à sua organização nos últimos anos, especialmente o de crédito, diante da nova postura das autoridades que vêm retirando, gradativamente, as restrições ao seu desenvolvimento.
As cooperativas de crédito são instrumento fundamental no suporte às atividades produtivas, tendo alcançado crescimento nos últimos anos, quase se igualando em número de cooperados ao setor agropecuário.
Também as cooperativas da área de saúde consolidaram sua atuação na prestação de serviços aos usuários, apesar do crescimento da concorrência e das dificuldades impostas pelas autoridades através da voracidade fiscal. As experiências têm demonstrado que os trabalhadores de todos os setores podem resolver adequadamente seus problemas através da organização em cooperativas. Nos últimos anos grupos de pessoas dos mais diversos setores da economia têm procurado a Ocepar com o interesse de organizar novas cooperativas.
Quem conhece a história paranaense dos últimos 50 anos sabe da importância que as cooperativas desempenharam no setor agropecuário através da organização da produção, da armazenagem, do emprego das novas tecnologias, da comercialização e da industrialização. Foi entre as décadas 60 e 70 que as cooperativas agropecuárias se consolidaram em todas as regiões do Paraná, dando suporte ao desenvolvimento da agropecuária e interiorizando a economia. Sem as cooperativas, o Estado jamais teria alcançado o atual índice de desenvolvimento e liderança nacional em vários produtos agropecuários. Temos consciência da transformação promovida pelo cooperativismo no Paraná para o desenvolvimento tecnológico, abertura de novas oportunidades de exploração agropecuária, implantação de armazéns e indústrias, produção de alimentos para consumo e exportação.
O resultado não apenas a prestação de serviços aos seus cooperados, mas também a geração de postos de trabalho em todo o Paraná e contribuição para a agregação de valores aos produtos primários. Não se pode esquecer a ação social das cooperativas, que têm investido na formação profissional dos cooperados através de cursos, palestras, excursões, dias de campo, exposições e outras ações.
(*) Engenheiro agrônomo, presidente do Sistema Ocepar.

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