Coontruz fecha as portas
Em maio de 2003, a FOLHA RURAL trouxe uma matéria em que os associados da Cooperativa Nipo Brasileira de Criadores de Avestruz de Londrina (Coontruz) preparavam-se para receber os primeiros lucros do investimento, um ano depois da fundação da cooperativa. O dinheiro viria da venda de filhotes e de serviços de orientação e hospedagem de animais.
Infelizmente, o negócio não teve a repercussão esperada e a Coontruz está encerrando as atividades. Faltou consumo para a carne, resume um dos diretores da Coontruz, Domingos Donnamaria Filho. Em abril deste ano, a cooperativa mandou o plantel de 150 aves para duas empresas, uma em Curitiba e outra no estado de São Paulo. Eles estão analisando o que fazer com a estrutura da cooperativa montada numa chácara arrendada na Estrada do Limoeiro, zona leste da cidade. Dos animais, segundo Domingos, a mais nova tinha 36 meses, só serve para produzir ração, diz.
A atividade no País, para ele, foi movida por muita euforia mas com informações e cálculos errados. Foi mostrado o potencial de se suprir o mercado europeu, cujo abastecimento feito pela África do Sul estava suspenso devido à febre aviária. Domingos acrescenta que, pelos cálculos da época, o investimento inicial de R$ 15 mil num casal em fase de postura, transformaria-se num retorno de quase R$ 45 mil em pouco tempo. Cada ave tinha condições de postura de 60 ovos/ano. Esqueceu-se por exemplo de computar o caro custo de manter estes animais até completar três anos, quando começava o período de postura.
Na hora de consumir, não havia frigoríficos autorizados para o abate, especialmente para mercados mais distantes, como o exterior. Até hoje o País não possui autorização para exportação da carne de avestruz, afirma. Na região há apenas um frigorífico que abate ao custo de R$ 150,00 por ave e pelo sistema de inspeção a venda é limitada ao Estado. Se computarmos o custo disso com o rendimento de carcaça, em média 30 quilos de carne, paga-se R$ 5,00 por quilo. O custo final é o que vemos por aí, mais de R$ 30/kg sem condições para se atrair consumidores.
Desde a fundação até agora, a Coontruz teve um total de investimentos estimado em R$ 1,5 milhão. A cooperativa atraiu dinheiro trazido do Japão por dekasseguis. Teve até quem vendeu casa para aplicar na criação de avestruzes, acreditando no potencial, lamenta. Domingos diz que no balanço final da cooperativa, entre o que se tem a pagar e o que se tem a receber, os sócios podem ficar no empate, resume. (C.G.)





