Convênio para pesquisa em Toledo
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A produção de peixe em água doce está deixando de ser apenas uma alternativa de renda em Toledo, no Oeste paranaense, para se tornar definitivamente prioridade em projetos de desenvolvimento econômico no setor rural. O município é pólo estadual de aquicultura, condição que será ainda mais fortalecida com a implantação de uma unidade de pesquisa do Instituto Akvaforsk, da Noruega, especializado em melhoria genética da fauna aquática. As pesquisas também serão voltadas ao sistema de tanques-redes no lago de Itaipu e Salto Caxias.
Os contatos para a instalação da unidade foram feitos há dois meses, em visita à Noruega feita pelo prefeito Derli Donin e o secretário municipal de Agricultura, José Augusto de Souza. A Noruega, localizada ao Norte da Europa, tem águas que fornecem a maior produção pesqueira entre os países da Europa Ocidental. O volume de pesca supera anualmente 2,5 milhões de toneladas, quase quatro vezes a produção brasileira, embora seu território (323.877 quilômetros quadrados) seja 25 vezes menor que o do Brasil.
IncentivoO Instituto Akvaforsk, de economia mista e originado na Universdade de Oslo, tem interesse em ampliar atividades em países com grande potencial pesqueiro, por isso a opção pelo Brasil, e, particularmente, por Toledo, onde a piscicultura de água doce apresenta grandes avanços. A atividade começou a ser disseminada a partir da instalação, em 1981, do Centro de Pesquisa em Aquicultura Ambiental (CPAA), do Instituto Ambiental do Paraná, dotado de tanques, laboratórios, engenheiros de pesca, biólogos e outros técnicos.
Originalmente, o Centro era destinado a estudos da ictiofauna na região que seria afetada pelo lago da hidrelétrica brasileiro-paraguaia de Itaipu, formado a partir de 82, e com reflexos diretos ao longo de uma dezena de municípios do Oeste paranaense. Com o represamento do Rio Paraná, suas águas avançaram para afluentes, alterando o comportamento dos cardumes e a própria população das diversas espécies. O CPAA introduziu na região inicialmente a tilápia nilótica, do Egito, e depois a carpa alemã e a húngara.
ProduçãoHoje, mais de 500 hectares de açudes são dedicados à piscicultura, com uma produção anual de 4,5 mil toneladas de peixe. Paralelamente, são desenvolvidos 80 milhões de alevinos, anualmente, para distribuição aos produtores e sua engorda. Na economia local, o peso da atividade supera o do setor madeireiro, fruticultura e olericultura, e já se aproxima do peso da pecuária. O Instituto Noroueguês pode contribuir para dobrar a produtividade nos açudes e lagos.
O Akvaforsk deve investir R$ 1 milhão em Toledo, a partir de janeiro, com estrutura anexa ao CPAA, resultado de convênio assinado no início do mês pelo prefeito Derli Donin, com representantes da organização, o secretário executivo da Embaixada da Noruega no Brasil, Johan Sorby, o governador Jaime Lerner e o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. Segundo Donin, a pesquisa deve envolver também o curso de Engenharia de Pesca do campus de Toledo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, e o resultado será a melhoria genética da ictiofauna.
LucratividadeNos açudes, a estimativa é de que os piscicultores tenham lucro de 100% sobre o custo de produção, fazendo duas despescas ao ano. O mercado consumidor tem grande potencial a ser explorado, assim como ocorre em todo o País. Pela média, cada brasileiro consome anualmente apenas 6,5 quilos de peixe, dez vezes menos que os japoneses ou os portugueses, como exemplos comparativos, embora o grande potencial da costa e bacias hidrográficas brasileiras. O governo estima que o consumo per capita possa chegar a ser cinco vezes maior que o atual.
Além da carne, cujo filé representa mais de um terço de sua massa, os peixes de água doce ofertam a pele, utilizada na produção de bolsas, cintos e outras peças. O restante serve para a produção de farinha, para alimentar alevinos. O interesse maior dos piscicultores é para a tilápia nilótica, que oferece filé considerado nobre. A maior parte dos piscicultores é de pequenos proprietários (até 20 hectares), e mais de 80% deles usam mão-de-obra familiar na atividade. Em Toledo, Cascavel e Assis Chateaubriand, o desenvolvimento da atividade fez surgir também grande número de pesque-pague.Região será beneficiada com a instalação de um instituto de pesquisa da Noruega, especializado em melhoria genética
Centro de Aquicultura de Toledo, onde será instalada a unidade da AkvaforskAçudes à margem da BR-467 (Cascavel-Toledo)Propriedade rural com açude





