Controle total sobre a propriedade
Antes havia o controle sobre a natureza, que eles aprenderam praticamente sozinhos: as mãos hábeis mexendo a terra, os malabarismos com as mudanças climáticas, o olho do dono engordando o gado. Mas os tempos mudaram e saber lidar com a lavoura já não era mais suficiente. Os pequenos produtores das Redes de Referências aprenderam que tinham que controlar os números: na ponta do lápis ou no computador, passaram a anotar tudo.
''A gente vai anotando o que comprou, o que vendeu, quantas vacas entraram, quanto leite elas deram. Anota tudo direitinho e, quando chega no final do mês, você sabe se sobrou, se dá para usar o dinheiro para reformar alguma coisa'', explica o produtor de café e leite Irineu Montagna, 53, de Umuarama. Disciplinado, ele faz o controle diário em um quadro e passa todos os números para o caderno uma vez por mês. O trabalho foi essencial para que sua propriedade de 15,3 hectares se tornasse modelo em manejo de pastagens de piquete.
''Não tem segredo, seo Irineu é um parceiro. E o trabalho das Redes só funciona com o tripé proprietário, pesquisador e extensão. Quando se tem um sistema de referência, é fundamental ter dados. Porque nós precisamos dar certezas para o produtor, senão ele fica gastando dinheiro à toa e não vê resultados'', afirma a pesquisadora do Iapar Symone Lugão, que desenvolve na propriedade o projeto de piquetes com variedades de capins melhorados.
Para o estudante de agronomia e produtor Carlos Lawish, 31, o domínio de todos os dados sobre a propriedade de sua família em Toledo foi um dos principais fatores responsáveis pelo aumento de produtividade na suinocultura. Um computador foi adquirido para armazenar as informações. ''Esse controle ajudou bastante porque passamos a ver onde estavam os pontos fracos da propriedade, o que precisava mudar'', diz. (V.N.)





