Controle pode ser feito agora
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sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Cláudia Barberato 
O agricultor que vem tendo problemas todo ano com o ataque da Diabrótica speciosa (vaquinha) pode fazer a aplicação de inseticida granulado no solo agora, simultâneamente ao plantio do milho, uma das culturas prediletas da praga.
A recomendação é do pesquisador Paulo Afonso Viana, do Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo, da Embrapa, sediado em Sete Lagoas, MG. O produto e a quantidade de aplicação, avisa Viana, devem ser recomendados por um agrônomo.
Na raizAs lagartas do gênero Diabrótica são os insetos-pragas mais sérios que atacam os sistemas radiculares das plantas no Brasil. No caso específico do milho, o consumo de raízes pela lagarta pode reduzir a quantidade de água e nutrientes, essenciais ao desenvolvimento das plantas.
Paulo Viana fez pesquisa para controle e tratamento da larva da vaquinha, durante três anos, na região Sul do Paraná, e ainda trabalha em pesquisa para aprimorar métodos de controle.
Nos experimentos da região de Castro, segundo Viana, foram testados alguns inseticidas, com boa eficiência de controle da larva. Na forma de larva, a vaquinha ataca a raiz das plantas, principalmente milho e tubérculo da batatinha e, na forma de besouro, inseto adulto, causa sérios prejuízos em outras culturas como feijão, tomate, abóbora e outras.
Mas o alvo principal do inseto é o milho. Na forma de larva come a raiz e na forma adulta ataca a parte aérea, folhagem e o cabelo da espiga. Muitas vezes a espiga cai no chão e apodrece, reduzindo a produtividade. Pode causar perda parcial e até total da lavoura. Acontece o tombamento das plantas dificultando a colheita.
Solos do SulApesar da sua importância, há uma enorme carência de informações sobre biologia, danos, nível de controle, métodos de amostragem, ecologia e técnicas de criação da Diabrótica. Essas informações, garante o pesquisador, tornam-se imprescindíveis em ações que visem a manutenção da população da praga em níveis economicamente aceitáveis nas culturas hospedeiras.
O aparecimento da praga, de acordo com Viana, é mais intenso na região Sul do País, especialmente onde os solos são pesados, com maior quantidade de matéria orgânica; além de regiões irrigadas do Centro-Oeste ou solos de baixada. Há presença também nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Além do tratamento com inseticida granulado no solo pode-se fazer a aplicação de inseticida com pulverização no sulco; mas os produtos ainda não foram liberados pelo Ministério da Agricultura.
Resultados de controleA Embrapa e a Fundação ABC, no Sul do Paraná, trabalharam em parceria no estudo do efeito de inseticidas e métodos de aplicação, para o controle de larva da Diabrótica speciosa na cultura do milho, em sistema de plantio direto.
Os melhores tratamentos foram feitos como os princípios ativos postebupirim, terbufos, phorate, chlorpyrifos, utilizando a formulação granulada e chlorpyrifos em pulverização, ambos aplicados no sulco de plantio.
A viabilidade da utilização desses inseticidas depende dos respectivos registros junto ao Ministério da Agricultura, e do desenvolvimento de equipamentos adequados para a sua aplicação. Por enquanto, somente o terbufos tem registro no Ministério.
Importância mundialDe acordo com Viana, a Embrapa trabalha desde 1992 para encontrar métodos de controle da larva. A pesquisa está também testando cultivares que seriam mais resistentes, mas este é um trabalho de longo prazo. No Brasil ainda não se tem número de laavas de vaquinha que são prejudiciais por planta; nível de danos e prejuízos.
No solo os insetos ficam escondidos e há dificuldade de visualizá-los sem tirar amostra. O tratamento de sementes para as pragas de solo não funciona para a Diabrótica, como acontece para outros insetos.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, a Diabrótica é de grande importância nas Américas. Estima-se que somente nos Estados Unidos sejam gastos anualmente US$ 1 bilhão para o controle de três espécies de Diabrótica que atacam a cultura do milho e cerca de US$ 100 milhões para o controle da praga em outras culturas.
O gênero diabrótica é bastante extenso. São relatadas 338 espécies, das quais seis consideradas pragas nos trópicos. No Brasil, a espécie predominante é a Diabrótica speciosa, cujos adultos alimentam-se também das folhas de hortaliças (solanáceas, curcubitáceas, crucíferas, gramíneas), soja, girassol, bananeira, algodoeiro e outros.
As larvas atacam também raízes de gramíneas, leguminosas e tubérculos de batata. Os ovos desse inseto possuem coloração branco-amarelada e são colocados isoladamente no solo. As larvas são brancas, têm cabeça marrom e uma placa escura no último segmento abdominal. Apresentam uma distribuição em reboleira, de alta variabilidade, ocorrendo até 100 larvas por planta. A mobilidade pequena e o desenvolvimento da larva é favorecido pela maior umidade e matéria orgânica existente no solo. Cerca de 90% das larvas concentram-se ao redor das plantas.


