Controle natural com o nim Com o crescimento do cultivo de produtos orgânicos, aumenta o interesse pelo combate natural a pragas As árvores adultas, plantadas há 9 anos no Iapar, florescem de novembro a marçoA pesquisadora alemã Andrea Brechelt é consultora do projeto desenvolvido pela pesquisadora do Iapar, Sueli MartinezVários produtos a abse de nim já são fabricados na República DominicanaPragasO florescimento nesta época foi provocado pelo clima seco do ínicio do ano Cristina Côrtes De Londrina O uso de produtos naturais para combater pragas tem despertado o interesse de muitos agricultores que se dedicam ou pretendem iniciar o cultivo de produtos orgânicos. Os especilistas afirmam que este é o mercado que mais cresce hoje no mundo, e um dos desafios para quem quer abastecer este mercado e oferecer produtos ‘‘limpos’’ é o combate às pragas sem o uso de venenos. Neste cenário, o nim, ou nime (Azadirachta indica), planta de origem asiática, surge como uma excelente alternativa, segundo a pesquisadora alemã Andrea Brechelt, diretora-executiva da Fundación Agricultura y Medio Ambiente de San Cristóbal, na República Dominicana. Ela esteve dando palestra para pesquisadores e produtores em Londrina, no final de fevereiro. Pesquisando esta planta há mais de 10 anos, Andrea é consultora do Projeto ‘‘Uso de Meliáceas no Controle Natural de Pragas do Café Orgânico e para Reflorestamento de Áreas Degradadas’’, desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O projeto tem a finalidade de avaliar o comportamento dessa planta nas condições de solo e clima do Paraná, e verificar a eficiência dos extratos no controle das principais pragas do café. Segundo a pesquisadora Sueli Souza Martinez, coordenadora do projeto no Iapar, o cultivo do nim pode baratear os custos de produção, porque possibilita aos produtores fazerem o seu próprio inseticida. O extrato de nim atua sobre mais de 400 pragas, atingindo lagartas, larvas, pulgões e insetos sugadores. ‘‘No café o inseticida extraído do nime atinge o bicho-mineiro, ácaros, e já foi verificado em condições de laboratório, que tem efeito de redução da postura da broca’’, explica Sueli. Interesse O número de produtores, pesquisadores e técnicos da área agrícola que participaram da palestra ‘‘Uso da Planta Inseticida - Nim - no Controle Natural de Pragas’’, promovido Iapar, demonstra, segundo Sueli, o crescente interesse por alternativas naturais no combate às pragas. ‘‘Aproximadamente 80 pessoas participaram, e além de obterem informações sobre a planta, se interessaram pelo possibilitade de importar os produtos industrializados à base de nime’’, comenta. Segundo Sueli, o nim tem sido muito pesquisado em todo o mundo, para controle de pragas, principalmente insetos. ‘‘No Brasil já estão sendo iniciados plantios comerciais e a tendência é que seu uso cresça bastante em substituição aos inseticidas químicos’’, comenta. No Iapar a pesquisa com essa planta começou em 1986, com a introdução de várias espécies para avaliação no campo. A planta no campo experimental do Iapar tem se desenvolvido mais lentamente do que nos países de clima mais quente, e apresenta pouca produção de frutos. Segundo Sueli, as condições de clima e solo têm limitado o seu desenvolvimento. ‘‘Vamos fazer plantios em regiões mais quentes do Estado, com solos mais básicos, onde deve se desenvolver melhor’’, comenta. A pesquisadora do Iapar informou também que estão iniciando um novo trabalho com o nim, que é o enxerto com a santa-bárbara, árvore que tem frutos com potencial para uso como inseticida e que cresce muito bem na região. (ver box) Atuação Segundo a pesquisadora alemã, o nim é utilizado como planta medicinal de usos múltiplos há muitos anos, na Índia. ‘‘É bastante conhecido por seus efeitos antissépticos e curativos, tanto na medicina humana como na veterinária. A azadirachtina é a substância mais importantte encontrada nas sementes do nim e utilizada para o controle de pragas. Ela também inibe o desenvolvimento dos insetos. ‘‘Esta substância atua sobre o sistema hormonal dos insetos, ou seja, sua ação é fisiológica’’. explica Andrea Brechelt Na Repúlbica Dominicana o clima seco e quente é muito favorável ao nim e existem grandes áreas cultivadas em bosques e florestas. Lá a planta é bastante utilizada, principalmente pelos produtores de hortaliças. ‘‘Os pequenos produtores podem fazer seu próprio inseticida, bastando colher as sementes e triturá-las com água’’, explica. Segundo a pesquisadora, os princípios ativos da planta são bastante solúveis em água e é muito fácil, não oferecendo riscos de intoxicação. ‘‘Para fazer o inseticida, deve-se moer 30 a 50 gramas de sementes em um litro de água’’, diz Andrea. A exemplo do que já é feito na Índia, na República Dominicana estão industrializando vários produtos à base de nim: sabonetes, shampoos, repelentes, óleos e extratos. Proteção vegetal Andrea explica que, no controle natural de pragas em hortaliças, plantas ornamentais e, frutíferas, entre outros cultivos, tem sido bastante utlizada uma formulação de óleo de nim, composto pelo óleo extraído das sementes, água, álcool e emulsificadores que servem para fazer o óleo se dissolver na água. O extrato feito à base das sementes trituradas com água, além de combater as pragas, melhora o desenvolvimento da planta, diz a pesquisadora. Existe ainda a torta moída de nim. É um resíduo de produção de óleo. Os princípios ativos também estão concentrados nestes resíduos. Essas tortas podem ser misturadas à terra que será utilizada em viveiros e sementeiras. A pesquisadora Andrea informou também que eles já estão trabalhando com a exportação desses produtos para diversos países da Europa e América Latina. ‘‘Os preços de nossos produtos são mais ou menos equivalentes aos inseticidas químicos, mas têm a vantagem de não serem tóxicos para os seres humanos, nem para o ambiente’’, afirma.