Controle ecológico e econômico
Controle ecológico
e econômico
Ocorrências normais das criações podem ser tratadas com a terapia, que atua também no aumento da produção
Cláudia Barberato
A veterinária Fabíola Schwartz, da Lapa, no Sul do Estado, propõe o uso da homeopatia para animais de produção como de interesse econômico e ecológico, em propriedades rurais, e por reduzir o uso de produtos químicos no manejo. Há seis anos trabalhando com a homeopatia animal, a veterinária garante que, além de resolver os problemas de manejo sanitário, a homeopatia pode ser preventiva e trazer aumento de produção.
Segundo a veterinária, os agropecuristas que estão aderindo à idéia de usar a homeopatia são produtores que já têm algum cultivo orgânico na propriedade. Há também a questão dos custos, já que os medicamentos homeopáticos custam de 10 a 15 vezes menos do que os tradicionais. Existem ainda aqueles produtores preocupados com a intoxicação provocada pelos medicamentos químicos usados para controlar parasitas ou outros problemas nos animais, acrescenta.
Outra vantagem está no apelo de marketing que os produtos irão representar. Sabe-se que hoje produtos de origem orgânica ou natural, livres de muitos resíduos, têm preços de 15% a 30% mais altos no mercado.
Aumento significativo Dependendo do caso, a medicação é única para todo o rebanho e faz aumentar a produção. A homeopativa também pode ser usada na prevenção de problemas no plantel, revela Fabíola.
No seu trabalho de conclusão de curso, ela desenvolveu experimentos com remédios homeopáticos em aves, setor em que trabalha atualmente na Região Metropolitana de Curitiba. O resultado? Ficou constatado que o uso de homeopatia em aves proporcionou acréscimo de 5% na produção.
No caso de bovinos de leite, afirma a veterinária, este aumento pode ser de até 12%. Na medida em que se melhora a parte orgânica do animal e também o ambiente em que ele vive, há maior rendimento. O medicamento sempre induz a um aumento. E no caso do manejo, não precisa mudar muita coisa, mas se mudar um pouco, fica melhor.
Agudos e crônicosA homeopatia nos animais segue, basicamente, os mesmos padrões da terapia em humanos. Há meios de atuar em casos agudos ou crônicos. Num bezerro desidratado, por exemplo, entrando em coma, é administrado medicamento de cinco em cinco minutos, para garantir a rápida recuperação. Quando o problema é crônico, de verrugas em vacas, outro exemplo, pode-se dar um remédio em dose única.
A terapia alternativa, explica a veterinária, procura retirar os produtos químicos de todo o manejo da criação. Fabíola garante que as intercorrências normais de qualquer rebanho podem perfeitamente ser controladas. Há casos, mais graves, onde é feita uma mesclagem com remédios tradicionais.
A introdução da homeopatia fica mais fácil nas propriedades de produção orgânica, onde já existe um manejo ecológico integrado, com produção de hortaliças, por exemplo, criação de peixes e gado de leite ou corte. Quem experimenta a adoção de um complexo produtivo orgânico, reunindo hortaliças, produção de aves e leite, acaba adotanto o sistema homeopático.
É possível adotar os medicamentos homeopáticos misturados ao sal mineral que controlam, segundo a veterinária, a incidência de parasitas como carrapatos e bernes. Fabíola também está trabalhando com verminoses, fazendo experimentos com ovinos, usando ervas misturadas ao sal mineral. Mesmo sem os resultados finais do experimento é possível afirmar que há redução de parasitas internos.
No caso de pequenos animais, os tratamentos à base de homeopatia, muito usados hoje em dia, pedem um acompanhamento individual. Caso também dos equinos. Aves para postura ou produção de carne são tratadas a partir de um sintoma geral do plantel. O mesmo acontece com o gado de corte ou de produção leiteira. A não ser no caso de um animal especial. Aí faz-se um tratamento individualizado. Mas, no manejo diário, o medicamento pode ser admimistrado para todo o rebanho, misturado ao sal mineral ou à água.
Outro trabalho da veterinária está no controle de mastite de vacas leiteiras, uma doença que provoca muitas perdas. Além da redução na produção, o dono das vacas gasta com medicamentos e, teria em tese, que eliminar o leite proveniente de vacas com a mastiste, já que elas são tratadas com antibióticos; o que não acontece.
Também a diarréia em bezerros, e outros problemas básicos do rebanho leiteiro, podem ser controlados com o medicamento homeopático, avisa Fabíola. Problemas de entorces ou traumatismos leves; debilidade da fêmea no pós-parto; problemas digestivos ou de intoxicações podem ser tratados com a terapia alternativa.
Mudança de comportamentoHá determinadas situações, recomenda a veterinária, em que é preciso, num primeiro momento, usar um antibiótico ou um soro, e depois pode-se prosseguir o tratamento somente com a homeopatia. Os medicamentos homeopáticos dão suporte para recuperação do animal. Numa intoxicação, por exemplo, atende-se o quadro clínico com soro. Depois os medicamentos homeopáticos darão condições do animal se recuperar mais rápido.
A adoção da homeopatia na propriedade, considera Fabíola, representa muito mais do que mudanças no manejo, mas uma modificação na mentalidade do produtor. Ela pode ser profilática e preventiva e isso sempre sai mais barato para o produtor, o que acaba convencendo-o a adotar a terapia.





