Controle dos animais e da propriedade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Silvio Oricolli Equipe da Folha 
Cascavel - Com a novidade, o pecuarista profissional passa a contar com a vantagem da agregação de valor à mercadoria. Esta é a avaliação de Valdir Florian Lazarini, pecuarista de Cascavel e presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná, sobre o sistema de rastreabilidade do rebanho bovino brasileiro, em atendimento às exigências do mercado internacional, especialmente do europeu. Em expansão, devido principalmente à integração agricultura/pecuária, o rebanho de gado de corte do Oeste está estimado em 1,1 milhão de cabeças, segundo o produtor.
O pecuarista diz que o setor deve sentir o impacto do custo no início da implantação do sistema. Mas o produtor terá de se acostumar, porque se não modernizar o controle do gado, terá de arcar com a desvalorização do produto, entende. Lazarini acredita que com o aumento da demanda, o preço do transponder deverá ter redução de até 50%. Eu não tenho dúvidas de que irá baratear, diz Lazarini, que abate quatro mil bois por ano. O grupo tem propriedades no Paraná e no Mato Grosso do Sul.
De acordo com Pedro Paulo Pires, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Corte, de Campo Grande (MS), o sistema deverá ser implantado em plantéis destinados à produção de carne para a exportação até o próximo mês de junho. A portaria com esta determinação está para ser baixada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Há outros prazos a serem cumpridos, visando o controle eletrônico de todo o rebanho. Pires diz, por exemplo, que até dezembro de 2005, o plantel das áreas livres de febre aftosa deverá ser manejado pelo sistema de rastreabilidade, e, até dezembro de 2007, o controle de todo o rebanho brasileiro, incluindo bovinos e bubalinos, deverá ser feito dentro das normas estabelecidas pelo governo.
Exigências do mercadoResultado de pesquisa desenvolvida há cinco anos, a Embrapa colocou no mercado instrumentos para atender as exigências do mercado. O sistema de identificação eletrônica de bovinos foi apresentado semana passada no Show Rural Coopavel. De acordo com Pires, a tecnologia visa dar garantia de acompanhamento do animal desde o nascimento até o abate, permitindo que o consumidor saiba a procedência da carne que irá comprar.
A tecnologia desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte consiste em transponder envolvido por resina biocompatível para ser implantado no umbigo do animal recém-nascido ou em porcelana para ser instalado no estômago do adulto.
O dispositivo eletrônico, ao ser estimulado pelos leitores, gera a própria energia e emite mensagem numérica, com os dados imprescindíveis para a certificação internacional. Os dados são passados para um software, que registra em um banco de dados o histórico do animal, incluindo as informações genéticas, manejo alimentar, sanitário e reprodutivo.
Custos Cada transponder custa R$ 7,00, informa Pires, mas é reutilizável, o que implica em investimento apenas na implantação do sistema, que ainda constará de duas antenas com leitoras - uma para trabalhos a campo e outra na cocheira, que custam em torno de R$ 4 mil. De acordo com o pesquisador, não há necessidade do pecuarista ter o próprio computador, pois pode utilizar o equipamento da associação dos produtores, por exemplo, reduzindo o desembolso. O gasto, no entanto, acaba sendo pago pelos benefícios que serão proporcionados pelo rastreamento, que é a agregação de valor à carne, avaliado em 2%. Outra vantagem do sistema, é que dificulta fraudes, comenta.
Pires diz que do rebanho nacional avaliado em 165 milhões de cabeças, até o momento apenas três mil cabeças são monitoradas por este sistema. Ele acredita que a implantação irá ocorrer aos poucos, com a demanda aumentando com a proximidade do prazo da exigência da rastreabilidade eletrônica do rebanho. Mas todos terão de fazer, por uma exigência do mercado, diz, argumentando que o pecuarista só tem a ganhar, porque o benefício virá com prêmios para a carne de boa qualidade, afinal se o consumidor está exigindo, terá de pagar por isso.
Valdir Lazarini entende que o sistema da Embrapa traz inúmeros benefícios para atividade, porque, além do animal, proporciona o controle de toda a propriedade e preconiza benefícios ao meio ambiente. Como haverá possibilidade de fazer o rastreamento do animal desde o nascimento do animal até à gôndola do supermercado, a contrapartida do benefício tem de ser no aumento do valor da carne, avalia.


