Magarhyssa Nortoni, procurando larvas da vespa-da-madeira no interior da madeira.O trabalho de pesquisa contra a vespa-da-madeira passa por uma etapa definitiva rumo ao controle biológico da proliferação da praga. Com a importação de 70 casais da vespa australiana Magarhyssa nortoni, para combater a vespa-da-madeira, o Centro Nacional de Pesquisa de Florestas, da Embrapa, complementa o processo de controle de pragas iniciado em 1989, quando foi criado o Fundo Nacional de Controle da Vespa-da-Madeira. O resultado do controle biológico, considerado mais eficaz, deverá aparecer em dois ou três anos, quando os pesquisadores esperam controlar 100% dos insetos que atacam as florestas de Pinus elliotti dos Estados do Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Segundo o biológo Edson Tadeu Iede, coordenador do programa de controle da vespa-da-madeira, a infestação do inseto chegou a atingir um quarto das florestas de pinus dos três Estados, atacando cerca de 250.000 hectares. Os prejuízos causados pela praga chegaram a US$ 5 milhões por ano, estimou o técnico. Calcula-se que a vespa-da-madeira tenha chegado ao Brasil em caixas de madeira usada como embalagens de produtos importados, e por aqui se proliferou com intensidade, por falta de predador.
Marcelo AlmeidaVespa-da-madeira, atacando pinus
ManejoCom os investimentos feitos em manejo biológico, inicialmente através da introdução de nematóides que esterilizam as fêmeas, e depois com a instalação de árvores-armadilhas que atraem os insetos, o controle atingiu 70%. Agora, com a importação da vespa parasita da vespa-da-madeira, espera-se atingir o controle de 100% das pragas, afirmou.
A importação da vespa Magarhyssa nortoni foi feita no ano passado, com investimentos de US$ 45.000, apoiada pelo Serviço Florestal Americano e Instituto Internacional de Controle Biológico da Inglaterra. Os 140 insetos já morreram, mas deixaram descendentes que serão distribuídos aos produtores, para agirem nas florestas como parasitas da vespa-da-madeira. Iede informou que este ano já foram distribuídos 40 exemplares da Magarhyssa nortoni, a título de experiência. A distribuição foi feita em Correia Pinto, Santa Catarina.
Em 1998 serão distribuídos mais de 1.000 exemplares, nos Estados do Sul, que devem começar a estabelecer o equilíbrio no ambiente, acredita Edson Iede. Ele explica que a vespa Magarhyssa faz parte de uma estratégia ampla de combate à vespa-da-madeira. O inseto parasita tem um ferrão de aproximadamente 8 centímetros, que perfura a madeira e localiza as larvas da vespa predadora da madeira. Então, ele dá uma picada que paralisa a lagarta e deposita seus ovos sobre o corpo da larva. Posteriormente as larvas atacadas tornam-se vespas, mas estéreis, e fazem a postura de ovos que terão no seu interior novos inimigos da vespa.
FêmeaSegundo o pesquisador, o trabalho de combate à vespa-da-madeira está concentrado sobre a fêmea, que provoca os danos causados à arvore. Ao fazer a postura dos ovos, ela expele um muco fitotóxico que age sobre as defesas das plantas e provoca o seu enfraquecimento. Além disso, quando ela coloca os ovos, carrega um fungo para o local onde eles serão depositados. Esse fungo cresce e serve de alimento para as larvas que ficam dentro da madeira. O fungo, associado à substância tóxica, entope os canais da seiva e em 30 dias já é possível perceber os sintomas do ataque. As árvores vão adquirindo uma coloração amarela, e posteriormente vermelha, e em seis meses estarão mortas. Mesmo que as árvores atacadas não venham a morrer, dificilmente poderão ser destinadas para utilização mais nobre da madeira, porque estará perfurada por dentro, como galerias que formam os abrigos das larvas.
Para controlar as fêmeas, os pesquisadores importaram, também da Austrália, cerca de umm milhão de nematóides que agem como esterilizadores. Os nematóides foram reproduzidos em culturas, que se multiplicaram e criaram variedades adaptadas às condições ecológicas do Sul do Brasil, explicou. Atualmente a Embrapa produz de 8 milhões a 10 milhões de doses de nematóides por ano. Cada dose é suficiente para tratar 10 árvores.
Os produtores recebem a dose e preparam uma solução com gelatina a 10% (a gelatina é veículo de ampliação), que será aplicada na madeira com o auxílio de um martelo que vai perfurar a madeira. São feitos orifícios de 30 cm no tronco das árvores, para a inoculação do nematóide. Ele penetra nas veias da madeira, à procura de alimento, que é o fungo, e começa a se reproduzir, aumentando o ciclo. Ao encontrar as larvas da vespa, o nematóide penetra nos vermes até os ovários, esterilizando as fêmeas. A fêmea adulta infectada sai da árvore e coloca ovos em outra árvore, só que eles estarão carregados com nematóides ao invés de serem ovos férteis.
Para os pesquisadores Edson Iede e Suzete Penteado, o sucesso desse trabalho de pesquisa deve-se à formação do Fundo Nacional de Controle da Vespa-da-Madeira, que contribui com cerca de US$ 50.000 a US$ 60.000 anuais, investidos nas atividades de laboratórios e pesquisas. Trata-se de uma parceria entre a iniciativa privada e o órgão público que realmente deu certo, frisou Iede. Sem essa contribuição, dificilmente o controle estaria adiantado, e as vespas-da-madeira iriam aniquilar as florestas de pinus, como ocorreu na Austrália.
Os pesquisadores ressaltaram que, apesar do sucesso do controle biológico, os produtores não poderão abaixar a guarda e deixar de fazer o trabalho de monitoramento e controle dos insetos. Agora que eles têm todas as ferramentas de combate e o inseto está dominado, a vigilância deverá ser constante, alertaram.

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