Controlar pragas e doenças em lavouras de soja e milho tem exigido um esforço grande de produtores, indústrias de defensivos químicos e também de órgãos de pesquisas nas últimas safras. Parte da solução, o uso de inimigos naturais nas lavouras tem sido uma ferramenta importante na luta contra as grandes infestações, como ocorreu recentemente com as Helicoverpas. Chamado de controle biológico, o sistema consiste na introdução de um determinado organismo vivo que combate insetos ou outras moléstias indesejáveis.
Existem dois sistemas de controle biológico: o controle de pragas com insetos e os entomopatógenos, constituídos de fungos, bactérias e vírus que são nocivos às pragas. O primeiro tem ganhado destaque nas últimas safras, com a chegada de novas espécies nocivas, a exemplo da Helicoverpa armigera.
Adeney de Freitas Bueno, pesquisador da Embrapa Soja e especialista na área de parasitoides em soja, afirma que as larvas dos insetos predadores parasitam os ovos das lagartas. "Nesse processo, a vantagem é que o produtor controla a praga em uma fase de desenvolvimento em que ela (lagarta) não causa danos à planta", salienta.
O especialista lembra que o controle biológico é mais uma ferramenta na erradicação de pragas, o que não dispensa o uso de outras tecnologias que corroboram para a eliminação dos insetos invasores.
Carlos Kamiguchi, produtor na região de Mauá da Serra (Norte), realizou por muito tempo, em sua propriedade, o controle de lagartas em soja com o Baculovírus. Segundo ele, como era um vírus específico, as pragas secundárias começaram a ganhar destaque e isso fez com que ele aumentasse as aplicações de inseticidas.
"Hoje as lagartas são mais resistentes, por isso não praticamos o controle biológico em nossa região", observa o produtor. Ele destaca que a maior dificuldade na implantação desse sistema é a disponibilidade de material biológico.

Leia matéria completa do repórter Ricardo Maia sobre controle biológico na edição deste sábado da Folha Rural

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