Controle biológico da broca
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sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Célia Guerra <br>Reportagem Local 
O combate à broca da bananeira não depende mais só de inseticidas. Agricultores de Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho) realizam há três anos, com sucesso, o controle biológico da praga, através de um fungo: o Beauveria bassiana.
A tecnologia, segundo o engenheiro agrônomo, Fernando Teixeira de Oliveira, chefe do escritório da Emater, apesar da aplicação inédita no Paraná, não é recente. Ela já é utilizada há cerca de 10 anos por produtores de Santa Catarina. O processo foi criado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) daquele Estado.
Fernando explica que a broca da bananeira é a principal causadora de danos na cultura. Ela ataca o rizoma e o sistema radicular da planta. ''Pode haver quebra de até 60% na produção dos cachos'', alerta.
Sem o controle biológico o combate à praga exige o uso de venenos organofosforados, que têm alto grau de toxicidade e com um período de carência que varia entre 30 e 90 dias. ''Estamos eliminando gradativamente os riscos de contaminação do aplicador, do ambiente e da pessoa que consome a fruta'', diz o técnico.
O implementador de fruticultura da Emater Regional, Élcio Félix Rampazzo, completa a informação dizendo que o agente da broca é um besouro de hábitos noturnos que age em sua fase larval de vida. A larva, depositada pelo inseto entre o pseudo-caule e o solo, cava verdadeiras ''galerias'' no rizoma afetando o sistema nutricional da planta.
Além dos danos nutricionais, a praga abre portas para outras doenças como o ataque de nematóides e fungos danosos à planta, como o Fusarium. No caso específico da banana maçã, Rampazzo diz que a toxina liberada pelo Fusarium mata a bananeira.
O fungo Beauveria, segundo Rampazzo, é um inimigo comum dos insetos. Ele destrói as células alimentando-se delas e comprometendo órgãos e tecidos do bicho. ''Em pouco tempo o inseto é eliminado'', explica. O trabalho feito pela Epagri foi o de separar cepas do fungo multiplicando-as em laboratório em um preparado a base de arroz.
Essas colônias de fungos são espalhadas pelo bananal através de iscas. Essas armadilhas, explica Fernando, são montadas em troncos de bananeiras. Corta-se o tronco rente ao solo e aplica-se a mistura do arroz contaminado. Essa mistura e coberta por mais um pedaço do caule da bananeira de aproximadamente 30 cm.
A água ou nódoa que brota do tronco, é o alimento do inseto. Bastam 20 gramas do fungo por isca, para controlar uma população de até 3 insetos. São necessárias 100 iscas por hectare, entre os meses de setembro a março quando o clima é quente é há mais incidência do besouro.
É eficiente - Tanto Fernando quanto Rampazzo alertam que o controle biológico só é eficiente quando aparecem menos de cinco besouros por iscas. Mais que isso é preciso uma aplicação de veneno para diminuir a população dos insetos.
A aplicação, além da preservação ambiental, é mais barata que a aplicação de defensivos químicos. ''As iscas custam cerca de R$ 16,00/ha contra R$ 28,00/ha dos venenos'', cálcula o técnico de Andirá.
No Paraná, segundo o implementador de fruticultura, a área plantada de bananas é de 8,5 mil ha. Mas a técnica está sendo aplicada em apenas 60% dos bananais de Andirá e Santa Mariana. A muliplicação dos fungos é feita apenas em Santa Catarina. ''A empresa nos envia o produto mas o transporte exige cuidados com a temperatura do ambiente'', afirma.
A instalação de um laboratório nas comunidades, na opinião dos técnicos, também não é cara, mas ainda inviável pela área ainda pequena de plantio da fruta. O ideal seria a multiplicação através de um dos institutos de pesquisa já exitentes no Estado. Fernando diz que a Universidade de Bandeirantes já manifestou interesse no trabalho.


