Contribuição da soja em sistemas produtivos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Celso de Almeida Gaudêncio 
A principal atividade no arenito paranaense é a pecuária bovina. Em virtude do declínio da carga animal das pastagens, naquela região, em função da limitação química do solo, e da pressão governamental para aumentar os níveis atuais dessas cargas, muito se tem discutido sobre a renovação das pastagens, utilizando culturas anuais adubadas, principalmente a soja, para a produção de grãos, nesse processo de renovação.
A utilização da soja, nessas condições, como foi tratado na publicação Soja no Arenito, editada pela Embrapa Soja, Instituto Agronômico do Paraná e Emater-PR, deve ser implantada sob condições especiais de rotação com espécies vegetais para grãos e forrageiras de verão-outono e/ou outono-inverno para cobertura vegetal do solo e, preferencialmente, no processo de semeadura direta. Na implantação da soja deve-se ter também outros cuidados, como o de inocular as sementes com braderizobium, para fixação biológica do nitrogênio do ar.
Naturalmente, a decisão de fazer lavoura anual, bem como a responsabilidade da preservação ambiental, é do produtor. Mas, se forem seguidas as recomendações técnicas conservacionistas e a utilização da semeadura direta, o sistema misto lavoura-pasto pode ser promissor. É bom salientar que a Embrapa empenha-se em desenvolver tecnologia que permita a produção de grãos no processo de renovação ou de recuperação de pastagens. Em especial, no que se refere à recomposição dos elementos químicos do solo.
Frequentemente, a soja é apresentada como uma lavoura interessante por várias razões: a) é uma leguminosa eficiente na fixação biológica do nitrogênio do ar; b) apresenta um resto de cultura com material orgânico ativo e c) pelo uso de graminicidas, necessários ao seu cultivo e eficientes na eliminação de gramíneas indesejáveis na formação da nova pastagem.
É importante afirmar que sistemas mistos de lavoura e pasto favorecem tecnicamente a intensificação produtiva, que pode ser feita na totalidade ou em parte da propriedade. Mas é bom lembrar que o uso de forma indiscriminada de sistemas intensivos, sem assistência agronômica, pode levar a exaustão do solo ou a excesso de produção, afetando o mercado.
Recentemente foi publicado pela Folha de Londrina o artigo intitulado Reinhard Maack e a soja no Arenito, que apresenta ao leitor alertas importantes no aumento da fronteira agrícola ou nas mudanças nos sistemas produtivos, com ênfase a regiões frágeis do ponto de vista agrícola, como é o caso do arenito caiuá. Mas o maior mérito do autor é mencionar Reinhard Maack, já no título, geólogo alemão de notáveis e fundamentais contribuições ao manejo dos nossos recursos naturais, do qual sou um modesto seguidor desde o tempo de escola.
O alerta, escrito há décadas atrás, ainda é válido e se constitui, no momento, num desafio que temos de enfrentar com lucidez, no já conturbado meio rural da atualidade. Por isso, no item sistemas de rotação de culturas com a soja no processo de renovação de pastagens no arenito cauiá, na publicação já citada, estes alertas estão contemplados. Eles não se restringem à soja em sistema misto com pastagem. Ao contrário, envolvem outros sistemas citados como intercropping e silvipastoril. Dentro desse contexto, o cultivo do coco torna-se, entre outras, uma opção desejável.
O autor é pesquisador da Embrapa Soja em Londrina.


