Curitiba - Os leilões de milho com contratos de opção de venda promovidos pela Conab estão sendo bastante procurados pelos produtores, que querem se precaver contra a queda de rentabilidade do grão.
Com a valorização do real frente ao dólar, bastante forte nas primeiras semanas deste mês - e com a aproximação da colheita da safrinha -, a tendência é que os preços declinem ainda mais. Para se precaver da perda de receita, os produtores paranaenses chegaram a pagar um ágio de 622% no primeiro leilão realizado este mês pela Conab.
Na semana que passou, a alta do dólar voltou a animar os negócios. Na terça-feira, a moeda americana fechou a R$ 3,04, o que representa alta de 5,25% em uma semana. Resultado disso foi a negociação de 15 mil toneladas de milho no Porto de Paranaguá a R$ 19,50 a saca na manhã de terça-feira. Mesmo assim, os produtores ainda se interessam pelos leilões, já que o dólar teve desvalorização de 13,87% em abril, diminuindo a possibilidade de lucro da atividade.
Esse cenário, aliado à previsão da Conab de uma safra brasileira de milho de 42,7 milhões de toneladas, para um consumo estimado entre 36 e 37 milhões de toneladas e para uma exportação de cerca de 3 milhões de toneladas, faz com que o produtor tema por uma redução maior do preço do produto. O que pode mudar esse cenário é o clima. Havia previsão de geadas neste fim-de-semana nas áreas produtoras de milho, o que pode modificar o preço do produto.
Cada um dos três leilões realizados neste mês pela Conab oferecia 7.145 contratos para o Paraná, com cada contrato no volume de 27 toneladas. O preço para entrega na segunda quinzena de agosto e recebimento no início de setembro é de R$ 18,80 a saca. ''É muito importante para o setor esses leilões, porque o governo sinaliza um preço para o mercado'', avaliou Robson Mafioletti, técnico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
No primeiro leilão, realizado no dia 6, a Conab ofertou contratos a R$ 44,55, que foram fechados a R$ 322,00, resultando em ágio de 622%. No segundo leilão, dia 16, o fechamento foi de R$ 127,50, o que representa ágio de R$ 127,50. ''O valor não é tão alto, mas mesmo assim todos os contratos foram vendidos, mostrando que ainda há interesse'', disse Mafioletti. O terceiro leilão estava marcado para ontem.
Como a Conab está ofertando contratos de opção, o produtor pode esperar o real valor de mercado em agosto para efetivar o negócio. Se ocorrerem geadas fortes, o milho safrinha pode ficar comprometido e o preço tende a subir. Se o clima contribuir e caso o dólar apresente queda, o valor do milho acompanha esse movimento. O risco do leilão está por conta do prêmio a ser pago: no pregão realizado no dia 7, o produtor paranaense pagou R$ 71,56 por saca para garantir o pagamento de R$ 19,80 em setembro.
O gerente de operações da Conab em Curitiba, Lafaete Jacomel, disse que foram feitos vários leilões desde outubro do ano passado. ''Mas como o dólar estava alto e os produtores exportando bem, não houve interesse'', disse.
Novo cenário - Para a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o cenário mudou bastante em apenas um mês. ''Os leilões de março e abril tiveram baixa procura, mas as coisas mudaram muito de lá para cá'', observou. O aumento da oferta derrubou os preços do milho. As exportações, com o recuo do dólar, também perderam o impulso.
Segundo Jacomel, a Conab constatou que existem estoques remanescentes da safra de milho passada. Isso pode ser mais um fator de contribuição para a redução do preço do milho, além da tendência de queda da taxa de câmbio e previsão de boa safra.
Para Mafioletti, o preço atual da saca de milho pode ser considerado ''justo'', já que está entre o máximo obtido pelos produtores na época de maior rentabilidade (R$ 30,00) e o valor mínimo de venda em 2001, quando a oferta do produto baixou o preço da saca para R$ 6,00.

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