Contratistas são os que mais compram máquinas
Os principais compradores argentinos das máquinas agrícolas produzidas no Brasil não são aqueles que plantam, mas outros personagens do sistema de produção agrícola: os contratistas. São eles os responsáveis, na maioria das propriedades, pelos serviços de colheita dos grãos. Também são eles, portanto, quem detêm o maior volume de maquinário no país.
Entre as tradicionais famílias argentinas de contratistas está a de Antonio Rosell, da província de Arrecifes. Os primeiros contratos para realizar serviços de colheita foram fechados pelo pai de Antonio, há 65 anos. Hoje ele trabalha com os dois filhos e até 17 funcionários no auge da safra.
Os Rosell têm sete colheitadeiras, cinco delas fabricadas no Brasil. A máquina mais antiga da frota foi comprada em 2000, e a mais nova em 2010, contabilizando mais de US$ 2 milhões investidos. ''Para compensar a compra de uma colheitadeira, é preciso que ela colha pelo menos mil hectares (ha) de soja por ano, e um pouco mais que isso no caso do trigo'', avalia o contratista, que pode manter suas equipes em até três lugares distintos. ''Transportamos nossas máquinas em caminhões terceirizados, a distâncias de até 700 quilômetros'', revela.
O preço do serviço depende do rendimento da área plantada. No caso do trigo, varia de 220 a 250 pesos por ha. A soja fica na média de 350 pesos/ha, e o milho entre 400 e 450 pesos/ha. ''De 70% a 80% dos produtores contratam serviços de colheita'', informa Rosell, que comemora a boa produtividade da última safra de trigo argentina (de 5 a 6 ton/ha) e se prepara para iniciar a colheita de soja e milho entre o final de março e início de abril.(S.L.)





