BiotecnologiaO primeiro experimento a campo com a soja transgênica apresentou um desenvolvimento normal, com boa granaçãoCom base em denúncia apresentada pela Associação Brasileira de Produtores de Sementes ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, foram iniciadas na semana passada as investigações sobre o plantio ilegal de soja transgênica no Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.
De acordo com a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o cultivo de soja transgênica só foi autorizado para áreas experimentais onde se realizam pesquisas sobre essas novas plantas. A CTNBio é composta por especialistas das áreas de biotecnologia humana, animal, vegetal, ambiental; representantes de ministérios; órgãos de defesa do consumidor; empresas de biotecnologia e entidades de proteção à saúde do trabalhador. Segundo o chefe da Divisão de Controle do Trânsito e Quarentena Vegetal do MA, agronômo Paccelli José Maracci Zahler, a soja transgênica que está sendo cultivada ilegalmente veio da Argentina, onde o plantio já está liberado.
O técnico do Ministério faz um alerta aos produtores para que não utilizem esta soja, pois estarão cometendo duplo delito. Pelo artigo 13 da Lei de Biossegurança, é crime a liberação ou descarte de organismo geneticamente modificado, podendo o infrator pegar de 1 a 3 anos de prisão. O outro delito pelo Código Penal é a ação de contrabando dessa soja que não é produzida no Brasil. Dependendo do julgamento, o produtor poderá também ter sua plantação destruída.
Milton DóriaO pesquisador Ricardo Abdelnoor é o responsável pela condução do experimento na Embrapa
DesinformaçãoNa opinião do agrônomo Paccelli Zahler a atitude de alguns agricultores é fruto da desinformação sobre as novidades desenvolvidas pela pesquisa, sobre o que está recomendado ou não para o uso. ‘‘Na busca pela competitividade, pelo melhor rendimento, os produtores devem ter se sentido atraídos pelas promessas dos vendedores das sementes’’, diz. O Ministério tem a informação de que os produtores pagaram bem mais caro por essa soja, entre US$100 e US$200 a saca, enquanto o preço normal da saca de semente é de US$30 a US$50.
Já foi identificada pela Polícia Federal a empresa argentina que fez a oferta das sementes no Brasil, pensando que aqui já estava liberado o plantio. Segundo informações do MA os munícipios onde há denúncias de plantio são Getúlio Vargas, Carazinho, Cruz Alta e Ijuí, no Rio Grande do Sul. No Paraná, dois municípios estão sob suspeita: Pranchita e Santo Antônio do Sudoeste, ambos no Sudoeste do Estado.
As únicas áreas autorizadas para plantio de plantas transgênicas no Brasil até agora foram as áreas experimentais. Ao todo 9 testes com soja, milho e algodão foram aprovados pelo Ministério da Agricultura. As áreas estão localizadas em Londrina, na Embrapa Soja; em Ponta Grossa, na Monsanto; em Toledo, Palotina e Cascavel, pela Coodetec.
Para fazer estes testes, as empresas responsáveis tiveram que cumprir várias exigências como a formação de uma Comissão Interna de Biossegurança; conseguir o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB) e apresentação de projeto de pesquisa. Feito isso, o Ministério encaminhou solicitação de importação das sementes que passaram por período de quarentena (que varia de 20 a 60 dias) e depois foram liberadas para o plantio nas áreas de testes. O técnico do Ministério enfatiza que nenhuma área de plantio comercial foi autorizada pelo Governo.
Até agora o Ministério permitiu a importação de 337,5 quilos de sementes transgênicas de soja, 25 quilos de sementes de milho e três clones de batata. ‘‘Queremos ter informações confiáveis de como este produto se comporta nas nossas condições climáticas. A liberação do plantio comercial será feita apenas após a avaliação destes resultados de pesquisa’’, comenta Paccelli Zahler.

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