Continua a tendência de baixa Preço da arroba deverá cair um pouco mais em função da maior oferta da safra. Reposição deve ser feita logo Cláudia Barberato De Londrina A sugestão para vender bois no ponto de abate e comprar bezerros agora e fazer a reposição é do veterinário e técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Adélio Borges. Ele não acredita que o preço dos animais de reposição baixe ainda mais a partir de abril e maio, quando se iniciará a safra de bezerros desmamados. ‘‘É possível que o preço do boi gordo caia ainda mais e o valor dos animais de reposição fique estável ou suba’’, ressalva. Isto porque os pastos estão em boas condições e parte do raciocínio dos pecuaristas deverá ser aquele de reter os animais (bezerros) para conseguir melhores preços adiante. Há 20 dias o bezerro desmamado valeu R$310 em média. Hoje está a R$250/260, com uma queda de 16%. Nas outras categorias de animais de reposição a queda média foi de 10%, com excessão para o boi magro que registrou 7%, acompanhando a queda que houve no preço da arroba do boi gordo (de R$39 para R$37 a arroba). Daqui para frente, acredita Borges, os bois prontos terão que ser vendidos e os bezerros não; eles podem esperar um pouco mais. Vai depender dos compromissos que o pecuarista tem a saldar. Além disso, segundo ele, está havendo uma queda de braços entre pecuaristas e frigoríficos nas negociações da arroba. Borges acredita que o mercado do boi gordo deverá trabalhar nessas cotações, com mercado estável por mais uma semana ou 10 dias. ‘‘Depois os preços poderão despencar, porque a oferta de animais será muito grande, em função da safra (pico entre março e maio) e quem ganhará na queda de braços poderá vir a ser os frigoríficos.’’ Outro fator que deverá influenciar na queda da cotação da arroba será a oferta dos bois que foram retidos no ano passado. Em 1999, de acordo com Borges, uma parte razoável de pecuaristas segurou bois, esperando cotação de R$44/45 para a arroba, o que não aconteceu. Esses bois, atualmente, estão por volta das 19/20 arrobas. Os animais encontram-se nos seus limites ou ultrapassando a capacidade máxima de ganho de peso, o que compromete a rentabilidade esperada. Do lado da demanda, segundo o veterinário do Deral, o período de Quaresma contribui para a redução do consumo, aliado ao baixo poder de compra dos salários da maior parte da população. ‘‘Deve-se acrescentar ainda que a competitividade em preço da carne branca e de suínos provoca o efeito substitutivo. A arroba, que está variando de R$35 a R$37, frente à pressão de maior oferta e as variáveis negativas pelo lado da demanda, poderá cair ainda mais’’, prevê o técnico do Deral. Quanto às exportações, avalia Borges, os maiores volumes ocorrem a partir de abril, quando aumenta o consumo de carne no Hemisfério Norte. Via de regra o período de fechamento dos contratos ocorre no primeiro trimestre do ano. ‘‘Este ano, o Paraná deverá ser certificado livre de aftosa em maio. Dependendo da força de negociação as exportações poderão crescer ainda mais. No ano passado houve aumento de 38% na venda brasileira para o mercado externo. Considerando que o preço da arroba do boi gordo do Brasil no mercado internacional é um dos mais competitivos, as perspectivas são muito promissoras.’’ Com tranquilidade Mais cauteloso, o consultor José Roberto Canziani, professor da Universidade Federal do Paraná e diretor da Agromarket, empresa de Curitiba que presta serviços de análise de mercados, acredita que o pecuarista poderá vender aos poucos os bois prontos e esperar um pouco mais para fazer a reposição. Na entrada da safra de bezerros, a partir de abril, poderá haver, segundo o consultor, uma leve queda nas cotações. Canziani acredita que o mercado permanecerá estável nos próximos dias. ‘‘Arrisco dizer que, se o mercado continuar estável, é melhor deixar o gado na propriedade, ganhando peso, porque o pecuarista vende quilos de carne, e escalonar as vendas, de acordo com a necessidade financeira, poderá ser o melhor passo’’. Segundo Canziani não está havendo especulação. Os frigoríficos têm tido facilidade de compra para manter as escalas de abate. ‘‘O mercado vive um momento normal, de safra. Não há perspectivas de que o preço da arroba despencar, mas também não irá subir, o que pode acontecer são variações. A relação de troca é normal e vale a pena esperar o período da safra de bezerros para fazer a reposição um pouco mais adiante com tranquilidade, especialmente no caso do pecuarista terminador.’’