Organizar a cadeia produtiva do feijão e informar o consumidor sobre a importância nutritiva desse cereal na alimentação diária. Na opinião de Lídia Yokoyama, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão na área de economia agrária, essas duas ações são preponderantes para estimular o consumo do feijão no Brasil. Ela esteve em Londrina na quinta-feira participando da 5 Reunião Sul Brasileira e a Reunião Anual Paranaense de Feijão, realizadas no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
De acordo com Lídia, o consumo de feijão era de 24 quilos (kg) por habitante/ano na década de 70 e hoje, é de 15,8 kg/hab/ano. Entre os fatores responsáveis pela queda, ela apontou o êxodo rural. ''Ao migrarem para a cidade, as pessoas do campo perderam poder aquisitivo e deixaram de comprar feijão'', explicou, lembrando que o frango e o macarrão são os principais alimentos que substituem o cereal. A pesquisadora considera que o preço médio do feijão no mercado, de aproximadamente R$1,80 por quilo, é alto para os consumidores de classe média baixa.
A mudança dos hábitos alimentares brasileiros também contribuiu para a redução. ''Com o surgimento dos restaurantes self-service, que oferecem grande variedade de alimentos, as pessoas passaram a por menos feijão no prato'', comentou. Por fim, ela citou o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho como fator que contribuiu para a modificação do consumo. ''As mulheres que trabalham não têm mais tempo de ficar 45 minutos esperando o feijão cozinhar'', disse.
A solução para estimular o consumo passa pela diminuição do preço do feijão. ''Para isso, é preciso organizar a cadeia produtiva'', acredita. O primeiro passo, segundo a pesquisadora, é a organização dos produtores e intermediários.
''Com a união, é possível aumentar o poder de barganha e tirar a força da bolsa de São Paulo, que atualmente determina os preços.'' Ela acredita que as melhores condições de venda do produto resultariam em menor preço para o consumidor sem diminuir a rentabilidade do produtor.
Lídia também defende que o poder público deveria investir em uma campanha lembrando a importância do uso do feijão na alimentação diária. ''Trata-se de uma fonte rica de proteínas e com propriedades anti-cancerígenas. É importante estimular o consumo pela classe média baixa, que não tem acesso a muitos alimentos nutritivos.''

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