Consumidor satisfeito
Outra função das alianças mercadológicas seria acompanhar exigências e gostos dos consumidores; especialmente no mercado interno, ‘‘para que a carne não deixe de ser uma preferência nacional’’, afirma o pesquisador da Unicamp, Pedro Felício. Itens como tamanho de cortes das peças, embalagens, porções, quantidade de gordura, devem ser melhor dimensionados, na opinião de Felício.
Animais mais jovens, bem alimentados e que possam ser levados ao abate aos dois anos, por exemplo, tendem a produzir carne de aparência e palatabilidade melhores’’, afirma. Mas, não é somente reduzir a idade de abate.
Na propriedade, o criador pode escolher o que é mais econômico para ele; usando as raças que considera ideais para o cruzamento. Produzindo de acordo com o gosto dos consumidores aos quais irá vender seu produto. Fazer o animal precoce com o cruzamento ou com os puros, vai depender da região, do mercado, do gosto dos consumidores. A partir daí a oferta desse tipo de animal deverá ser constante, o ano todo.
No frigorífico há processos na hora do abate que auxiliam na qualidade do produto final. Um recurso importante, na indústria, é a maturação. ‘‘As boas indústrias brasileiras têm resfriamento intenso; só que isso pode não ser o ideal para a qualidade da carne em determinadas situações, quando se precisa, por exemplo, de maciez no contrafilé e alcatra.
Não se pode dizer, segundo Felício, que os frigoríficos estão trabalhando errado quando exigem acabamento de carcaça. Uma carne com mais gordura evita parcialmente o endurecimento. Mas o produtor, de maneira geral, reclama. Como resolver esse problema? Do ponto de vista econômico e de conservação? ‘‘As alianças mercadológicas é que deverão encontrar as soluções.’’
Estabilidade‘‘Deve-se seguir um programa de qualidade mas, ao mesmo tempo, introduzir e testar modificações’’, defende o pesquisador. O sistema deverá se organizar, para entregar animais jovens o ano todo e abastecer um mercado definido. Cada região produtora de carne deve estabelecer o que produzir. Dependendo da região onde está a propriedade, o produtor poderá escolher raças, tardias ou precoces, cruzamentos ou criação de puros.
Além do aumento de desfrute na propriedade, e maior renda, o abate de um boi mais jovem representa, segundo Felício, proteção ao meio ambiente, o que melhora a imagem do País no Exterior.‘‘A produção do boi precoce ou superprecoce significa aumento de produtividade e menor devastação de matas e florestas para formação de novos pastos. Produzir mais em áreas menores evita o extrativismo. Para isso é preciso que se melhorem as condições atuais das pastagens.’’ (C.B.)

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