"Temos a percepção se eles têm gostado do produto, se o tomate está mais doce, mais ácido... assim conseguimos ir melhorando", diz Luiz Monobi
"Temos a percepção se eles têm gostado do produto, se o tomate está mais doce, mais ácido... assim conseguimos ir melhorando", diz Luiz Monobi | Foto: Gina Mardones



A distância entre consumidores e produtores rurais está cada vez mais curta. Hoje - mais do que levar para casa um produto de qualidade - o cliente final está interessado num vínculo com quem produz a verdura, legume, fruta e até mesmo proteína que está consumindo. Não por acaso, o "boom" das cestas delivery de verduras e legumes e feiras semanais de orgânicos chegou a Londrina há algum tempo. Neste formato de comercialização e em espaços específicos, o cliente fica cara a cara com o produtor e, exigente, não titubeia em pagar mais caro por um item diferenciado.

Movimento que o produtor Luiz Monobi conhece muito bem, o que fez transformar sua forma de lidar com o campo. Antes, o foco era estritamente nos grãos convencionais, as commodities tão famosas do Estado. O olhar para uma agricultura, digamos, mais natural e que impactasse o consumidor de forma positiva, fez com que ele apostasse há cinco anos em olerícolas orgânicas numa área de 10 hectares próximo ao Limoeiro.

A produção em estufas de tomate grape e pepino japonês chega a 10 toneladas por ano. Além disso, planta abobrinha, folhosas, brócolis e até ervilha torta. Hoje, 80% da produção de Monobi vai para supermercados de Curitiba que, segundo ele, ainda tem um público bem mais fiel em relação aos orgânicos comparado a Londrina. Aqui na cidade, o comércio é mais "íntimo", levando cestas de produtos na casa dos clientes e na Feira Orgânica de Londrina, que acontece no espaço da construtora Vectra. "O consumidor quer esse vínculo, se aproximando do produtor. Já cheguei a levar clientes no sítio, que querem saber como produzimos. Estamos a 15 minutos do centro da cidade."

Mas de qualquer forma, para a comercialização de orgânicos, Monobi acredita que a cidade tem muito o que evoluir. Por isso a atenção à capital do Estado. "Colhemos, lavamos, embalamos e eles etiquetam lá em Curitiba. É claro que pelo supermercado o preço é menor que nas feiras aqui, mas não tenho problemas de sazonalidade. Tenho segurança que vou vender e receber."

Em Londrina, o produto de Monobi tem maior valor agregado e, claro, conta com o feedback dos clientes. "Temos a percepção se eles têm gostado do produto, se o tomate está mais doce, mais ácido... assim conseguimos ir melhorando e ter maior transparência (na comercialização)."

Se há cinco anos, quando iniciou o trabalho, o número de propriedades com certificado de orgânicos na cidade era irrisório, agora este "mundo novo" se expandiu consideravelmente. "Eu acho isso legal, vai fazer a gente diferenciar a produção e buscar atender novas demandas. Lá na frente, vamos ter que procurar algo diferente, com outro visual e assim agregando (cada vez mais) valor ao produto."

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