Consumidor quer bons produtos
Curitiba - O produtor também precisa estar atento a algumas dicas básicas para obter um produto dentro das especificações que agradam o consumidor e respeitar as normas de classificação vegetal. O primeiro ponto é escolher variedades que o consumidor realmente vai utilizar na mesa. Além disso, ele deve ter uma escala de produção e verificar, antes de plantar, se terá mercado para vender. Outra dica é manter um controle de pragas e doenças eficiente utilizando, o mínimo possível, de agrotóxicos.
Ivonete Rasêra alerta que, na hora de colher, o produtor não deve levar para o mercado produtos que estão com pragas e doenças, o que representaria um gasto desnecessário com transporte. Outra dica é não vender produtos com defeitos. Para evitar que os produtos sejam ''machucados'' durante o transporte, a sugestão é usar embalagens especiais para cada tipo de produto. O correto, segundo ela, é utilizar as caixas de madeira uma única vez para que não haja risco de contaminação dos produtos por fungos. As caixas de plástico devem ser higienizadas a cada vez que são utilizadas.
A classificação vegetal considera um produto bom quando não tem qualquer dano, é uniforme na coloração e no tamanho. Outra questão importante é que não haja mistura de variedades diferentes. As frutas, por exemplo, devem ter um sabor adocicado e não ácido. Há até um equipamento, chamado refratômetro, na área de classificação que verifica a quantidade de açúcar em frutas como o abacaxi. Ela lembra que, muitas vezes, uma fruta pode ser pequena mas ter qualidade.
O padrão de classificação vegetal é elaborado por toda a cadeia produtiva. O Ministério da Agricultura coloca em consulta pública o assunto e o consumidor final também pode interferir e apresentar sugestões.
A classificação inclui a identificação visual dos defeitos, coloração, tamanho, formato, quantidade de açúcar, ação de pragas e doenças, danos provocados durante o transporte e armazenamento, podridão, machas e casca rugosa.
Ivonete destaca que o mercado paga mais para produtos que oferecem qualidade superior. Ela cita o caso da maçã extra, com cor homogênea que é mais cara do que a de categoria 3 que vem com alguns defeitos. ''O produto com qualidade maior pode custar até o dobro do valor (do comum). E tem consumidor para todos os tipos de produtos. As famílias que têm mais dinheiro pagam mais caro'', diz.
Ela alerta ainda que, caso o consumidor compre um produto com dano, deve exigir a troca ou a devolução do dinheiro. ''Se jogar fora, perde o dinheiro e o supermercado ou o feirante não ficam sabendo. Quando o consumidor exige seus direitos, o supermercado vai questionar o fornecedor (que vendeu o produto)''. O consumidor precisa ficar atento também aos produtos que estão em final de safra, porque o varejo faz promoções para desovar estoques.(A.B.)





