Consumidor do futuro exigirá qualidade e preços baixos
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sexta-feira, 10 de maio de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Daqui a dez anos, os consumidores brasileiros tendem a gastar mais dinheiro com educação, transporte e lazer, diminundo a parcela do orçamento que atualmente destinam à alimentação. Mais informados, passarão a exigir alimentos de mais qualidade a preços baixos, valorizando selos de certificação que garantam a utilização de práticas culturais ecologicamente corretas que resultem em produtos saudáveis. Também valorizarão a praticidade presente nas linhas de alimentos semi-prontos e processados.
Essas constatações fazem parte dos resultados de uma ampla pesquisa sobre o perfil do consumidor do futuro, realizada pelo Programa de Estudos do Futuro do Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com o professor James Wright, da Faculdade de Economia e Administração da USP e coordenador do programa, o contexto identificado torna o mercado favorável a produtores inseridos nas cadeias de produção, que recebam assistência técnica da agroindústria para que possam produzir matéria-prima com as características que serão valorizadas.
Os nichos de mercado com maior potencial são, em ordem de importância, os produtos orgânicos, os pré-prontos, os alimentos sem diferencial mas com qualidade assegurada e por fim, os produtos tradicionais. O produtor que conseguir se inserir nos nichos mais valorizados terão maior rentabilidade.
População mais madura Para realizar a pesquisa, foi utilizado o método Delphi, com consulta a 48 executivos e pesquisadores da área de planejamento. Os resultados foram baseados na opinião dessas pessoas, explicou James Wright. Uma das principais conclusões é que nos próximos dez anos, a parcela da população que mais crescerá no País é aquela formada por pessoas com mais de 50 anos. Os consumidores dessa faixa aumentarão de 28 milhões para 42 milhões, informou.
Essa tendência refletirá em um amadurecimento do mercado. Aumenta a preocupação com qualidade, segurança e saúde, observou o pesquisador. Ele acredita que aumentará o consumo de produtos com propriedades medicinais, maior digestibilidade e com vitaminas específicas para a terceira idade.
Mulheres consumidoras O crescimento da participação das mulheres no mercado formal de trabalho também traz mudanças no perfil de consumo. Elas passam a ter mais renda e menos tempo, por isso, buscam alimentos mais práticos como os semi-prontos e processados, analisou.
A diminuição no tamanho das famílias e aumento no número de pessoas morando sozinhas também trará modificações. De acordo com Wright, aumentará a procura por produtos em embalagens menores, destinadas ao consumo individual.
Outra constatação é que o poder aquisitivo da população deve continuar crescendo. Aumentará o número de pessoas com renda maior que dois salários mínimos, enquanto os índices de pobreza absoluta caminham para a estabilização, avaliou. Para ele, isso refletirá no aumento do consumo de produtos populares de boa qualidade. Cresce o nível de informação e consequentemente, as exigências da população.


