Consórcio prol logística
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Unir iniciativa privada, poder público, universidade e sociedade civil para solucionar problemas de logística nos transportes no País. Este é o objetivo das mesas de integração, promovidas pelo Consórcio do Corredor Atlântico Sul. A entidade é presidida pelo engenheiro Paulo Augusto Vivácqua, responsável pela implantação de ferrovias para o desenvolvimento do interior do País. Segundo ele, um dos principais objetivos é atrair a atenção do meio político para as dificuldades do setor e viabilizar investimentos.
A pedido do Ministério da Agricultura, o consórcio tem projeto de implantar seis novas mesas de integração nos próximos seis meses. Uma delas será em Paranaguá, para garantir melhorias no acesso ao porto. As outras serão em Porto Velho (RO), Itaqui (MA), Balsas (MA), Cuiabá (MT) e Santos (SP). A mesas são fóruns de negociações para solucionar problemas de logística. ''É uma articulação que elimina gargalos burocráticos e as absurdas taxas de exportação'', explicou. Hoje existem 26 mesas de integração, sendo 19 no Brasil - uma em Curitiba - e sete em outros países da América do Sul. Outras duas serão instaladas em Vera Cruz (México) e Houston (EUA).
O Brasil está atualmente 54º lugar no ranking mundial de eficiência em transportes. Já as empresas brasileiras ocupariam o 34º lugar no mesmo ranking; EUA e Finlândia lideram esta classificação. ''O problema dos transportes no País é de engenharia, político, econômico e social'', avalia Vivácqua. Segundo ele, é necessário ''eliminar gargalos burocráticos, a corrupção e as taxas de alfândega.''
A alternativa apontada por Vivácqua é unir os setores dos agronegócios e da construção pesada e os ministérios da Agricultura e dos Transportes para a aprovação de projetos que facilitem o desenvolvimento logístico do País. ''A bancada agropecuária tem de se converter logística-agropecuária'', salienta.
Vivácqua também preside a Academia Nacional de Engenharia e é ex-diretor do Projeto Carajás, cujas principais realizações foram as construções da Ferronorte, Ferrovia Norte-Sul. Ele destacou que há quatro grandes regiões de mercado no mundo: EUA e América do Norte, América Latina, Europa e Ásia. Apesar de interligados por navios, o Brasil precisa, além dos portos, de ferrovias eficientes para escoamento interno da produção.
A baixa eficiência dos transportes no País é reflexo do investimento em rodovias em detrimentos às ferrovias. Enquanto 62% do transporte brasileiro é rodoviário, este índice é de apenas 24% nos EUA. Os custos internos de transporte são o dobro no Brasil comparado aos EUA e China, o que resulta, segundo ele, em perda anual de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Outra necessidade é atingir com maior eficiência mercados da América do Sul. Atualmente, o Brasil não atinge a Costa Oeste e tem seus litorais escassamente integrados. ''Nosso País é um arquipélago de economias mal integradas por deficiência nos transportes'', avalia. Vivácqua cita um exemplo de perdas causadas pela falta de integração: o Peru comra cimento da Turquia. ''Se houvesse infra-estrutura eficiente, este mercado poderia ser do Brasil.''


