Arquivo FRNo final de fevereiro, representantes de todos os segmentos da cadeia produtiva do café reuniram-se em Vitória, ES, no encontro anual do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) e criaram o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), órgão nacional coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) integra o Conselho Diretor do Consórcio, juntamente com a Embrapa, o IAC, a Epamig, a Emcapa, o Ministério da Agricultura (através do Procafé) e a Universidade Federal de Viçosa. O Iapar, lembra seu diretor-técnico, Florindo Dalberto, é um dos principais mentores do CBP&D/Café, que usará recursos financeiros do Funcafé.
Defasagem tecnológicaAo contrário de outros produtos, para os quais foram estruturados centros de pesquisa através da Embrapa, o café não recebeu este tratamento. Para ele existia o IBC, lembra Florindo Dalberto. O IBC exerceu o papel de articulador da pesquisa cafeeira, mas não havia uma estratégia global dessa pesquisa. ‘‘A parte tecnológica foi tratada desconectadamente da política cafeeira nacional’’, lembra Dalberto.
Com a extinção do IBC o quadro se agravou. A pesquisa ficou desarticulada e faltava apoio financeiro. ‘‘A consequência foi uma crescente defasagem tecnológica para o café brasileiro, quando se investia pesadamente na produtividade e na qualidade, na América Central, onde a produtividade é quase o dobro da brasileira. Enquanto isto, no Brasil, põe-se em risco a produtividade e a qualidade, o que vai influir negativamente na competitividade’’, lamenta o diretor do Iapar.
Rede integradaConsiderando esta situação, as entidades começaram a trabalhar para aglutinar a pesquisa e conseguiram instituir o Consórcio. Participam todas as entidades que trabalham com café, sob a articulação e administração da Embrapa. Ela gere os trabalhos. Como acontece em uma grande obra; Itaipu, por exemplo, onde empresas fazem um consórcio para cada uma executar uma parte do projeto, sob coordenação de um administrador (o Conselho Diretor, no caso do CPB&D/Café).
O CBP&D/Café levou à criação do Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (PNP&D/Café). ‘‘A grande inovação é que a pesquisa em café passa a configurar uma rede integrada de pesquisa. A interação é imediata. Os programas ficam articulados’’, diz Florindo Dalberto. Esta articulação permitirá identificar as áreas estratégicas como biotecnologia e recursos tecnológicos, ‘‘para fazer em pouco tempo uma liderança em pesquisa e tecnologia de café.’’ No próximo número: o Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Café.

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