Conservação reduz efeito da chuva
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Cristina Côrtes 
Fotos: Marcos BorgesDescasoO sojicultor Justiniano Paiva desce na vossoroca para mostrar a profundidade da erosão
Produtores e técnicos estão preocupados com as condições das estradas rurais, que podem comprometer o escoamento da colheita da safra de verão. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado (Seab) não tem dados exatos sobre quantos quilômetros de estradas estão em situação difícil, mas o volume de chuvas deste janeiro já prejudicou muitos trechos.
O Paraná tem um sistema viário rural de 260 mil quilômetros, e destes apenas 55 mil quilômetros foram readequados nos últimos sete anos, com recursos do Programa Paraná Rural, que desenvolveu trabalhos integrados de manejo e conservação de solos. Neste período foram aplicados aproximadamente R$ 300 milhões, oriundos do Banco Mundial, Tesouro do Estado e Prefeituras. A informação é do engenheiro agrônomo José Carlos Aliaga, da Área de Recursos Naturais da Seab.
Os terraços de contenção acabam retendo a água da chuva, se não forem conservados
No município de Cambé, no Norte do Estado, a erosão de algumas estradas é séria. O sojicultor Justiniano Paiva entra na vossoroca próxima da sua propriedade, para mostrar a gravidade da situação. A água vem descendo e não tem nada para segurar. Acho que vai precisar muito dinheiro para consertar isso, diz ele.
Manutenção constanteO extensionista Sérgio Carneiro, do Escritório Regional da Emater em Londrina, explica que o trabalho de readequação requer manutenção constante por parte do produtor. As obras de conservação do solo amenizam e impedem a erosão, mas não corrigem definitivamente o problema, comenta Sérgio.
O técnico recomenda que o produtor tenha cuidado ao usar implementos, principalmente ao fazer manobras das máquinas nos trechos das estradas próximas dos terraços de contenção. A manutenção periódica destes terraços, com a retirada das terras que vão-se acumulando, é fundamental, para evitar o acúmulo da água, explica o agrônomo.
Uma estrada bem conservada garante o escoamento da safra, mesmo em período de chuva
A época ideal para fazer o trabalho é no período de maio a agosto, sem chuvas e com movimentação menor nas estradas. Mas, como no ano passado os recursos sairam com atraso, o agrônomo explica que há muitas obras em andamento nos municípios de Guaraci, Florestópolis e Primeiro de Maio. Realizar obras nesta época tem um custo maior, leva mais tempo e ocasiona mais problemas, por causa da chuva. O trabalho é frequentemente interrompido, e a água leva a terra que está sendo remexida, comenta Sérgio.
EmergênciaCom relação aos problemas mais urgentes que precisam ser solucionados antes da colheita, o agrônomo recomenda algumas medidas como fazer a correção do leito e o cascalhamento. É um paliativo para possibilitar o escoamento da produção, e tem um custo relativamente alto, variando de R$ 1,5 a R$ 2 mil por quilômetro.
No caso das vossorocas mostradas nas fotos desta reportagem, o técnico explica que será necessário um projeto global, que envolva uma série de medidas para solucionar o problema. Sérgio comenta que em muitas estradas permanece ainda a concepção antiga de conservação baseada na orientação da engenharia civil para estradas asfaltadas. Ou seja, utilizam-se canaletas laterais com tubulações.
Para as estradas rurais, fazem-se as canaletas, mas sem as tubulações, e o resultado é a erosão nas laterais da estrada, como mostram as fotos. Neste caso, a solução é passar máquina niveladora para aprofundar o leito da estrada. Esta prática não funciona, porque vai formando um corredor na estrada com barrancos de três a quatro metros de altura, informa.
O moledo, assim como as touceiras de capim-limão (erva-cidreira), mostram o cuidado do produtor
CustosO custo de readequação de uma estrada rural está entre R$ 4 mil e R$ 7 mil por quilômetro, incluindo o revestimento primário, que é o cascalhamento. Dentro do Programa Paraná Rural, o Programa de Manejo Integrado do Solo e Água (PMISA) englobava a solução dos problemas das estradas. A área beneficiada era escolhida por uma Comissão Municipal de Solos, composta por representantes de várias entidades. O trabalho conjunto era realizado pela Emater, que elaborava o projeto e fazia o acompanhamento. As prefeituras forneciam as máquinas.
O Programa Paraná Rural terminou no ano passado, mas algumas prefeituras continuam com o trabalho, como Londrina, por exemplo, que fez readequação em 300 km de estradas com recursos próprios. É importante que as prefeituras assumam a iniciativa junto com os produtores, destaca Sérgio Carneiro.


