Conservação de solo e água é o foco do trabalho
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sexta-feira, 01 de março de 2019
Célia Guerra<br>Reportagem Local 

Problemas com a conservação de solo na região de Paty do Alferes (RJ), em 1995, foram o ponto de partida de um trabalho da Embrapa Solos, sediada no Rio de Janeiro, que culminou no Tomatec, ou Sistema de Produção de Tomate em Cultivo Sustentável. Segundo o pesquisador José Ronaldo de Macedo, a localidade se destacava na produção de tomates, mas também registrava uma das piores práticas de conservação de solos, com o agravante de ser uma região de morros e declividade alta. "Tínhamos de mudar o sistema de cultivo, já que os produtores não iam deixar de plantar tomates. Investimos então nas técnicas do plantio direto, como o plantio na palhada, construção de curvas de nível, que ainda não eram aplicadas em áreas de hortaliças. Os resultados foram excelentes", lembra ele.
Em 2005, o mesmo problema foi constatado em outra região, São José do Ubá. Desta vez com o questionamento de um produtor que esperava por mais ganhos, além da conservação de solos e de água. Para ele, os cuidados deveriam resultar também em preços diferenciados na comercialização do tomate. "Oferecer ao consumidor um produto livre de agrotóxicos foi a alternativa, mas não com as regras da produção orgânica", conta o pesquisador. A opção foi testar uma técnica já utilizada em outras culturas, como a goiaba e o mamão: o ensacamento dos frutos até o final do ciclo.
Amostras avaliadas pela Fiocruz comprovaram a ausência de resíduos. "Das 80 análises realizadas, 70% tinham índice 0%, nas demais constatou-se índices muito baixos na avaliação de parte por bilhão (x,000000%)", cita Macedo. Essas análise são feitas anualmente com lotes de cada produtor que adota o sistema. "Os resultados do Paraná são excelentes", frisa.
Segundo Macedo, o sistema tem seis pilares: conservação de solos, uso racional da água, uso de adubação, tutoramento vertical da planta por fitilho, MIP (manejo integrado de pragas) e o ensacamento ou proteção física do fruto. É reconhecido ainda como três "S": seguro, saudável e sustentável. A adesão ao sistema é selado por meio de um entre a Embrapa e os parceiros, "É um documento de parceria, sem ônus ao produtor. Uma garantia a mais, selamos as nossas obrigações e os produtores as deles."
As premissas do sistema são atestadas pelo selo Tomatec, que foi registrado pela Embrapa no Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), e que constar embalagem identificando o produto, o sistema de cultivo. "Tornou-se uma marca da Embrapa, de responsabilidade na produção." Ele explica ainda que todos os anos são impressos lotes de selos em que são repassados aos produtores de acordo com o volume de produção estimado por cada um. A numeração anual que consta no selo, segundo ele, refere-se somente a quando foi impresso.
Por ser um programa de pesquisa da Embrapa, Macedo prevê que o projeto deva se encerrar neste 2019. A partir de então, o serviço terá continuidade, com a marca da Embrapa (o selo) por meio de uma empresa certificadora, idônea. Mas o processo, segundo ele ainda não está definido.
José Ronaldo de Macedo conclui a entrevista ressaltando que o foco do trabalho não são os agrotóxicos. "Nossa preocupação é com a conservação de solo e o uso da água. A ausência de contaminação por agrotóxico vem agregar valor ao produto - garantindo preço justo ao produtor - e mais segurança alimentar ao consumidor." (C.G.)


