Conquistar o consumidor ainda é o maior desafio
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sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
A oferta equilibrada não pressiona os preços para baixo, ao mesmo tempo em que o consumo interno se motra aquecido. E ainda há o bom desempenho das exportações. A conjugação desses três fatores tem mantido os preços em alta. No Paraná, nos últimos 18 meses, quando a atividade passou por fases de redução drástica nos plantéis, este é um dos raros momentos em que o suinocultor não está pagando ou empatando para produzir. Oferta no justo calibre da demanda faz com que o criador consiga manter vantagens entre custo de produção e preço recebido pelo produto.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná (Seab), o custo médio para a produzir um quilo do suíno está em R$ 1,78. O produtor tem recebido de R$ 2,10 até R$ 2,35. Dependendo do tipo de animal, prazo de pagamento e da indústria, alguns conseguem até R$ 2,50.
Até a venda de matrizes de descarte (a fêmea, depois de cinco ou seis crias é enviada para o abate) está aquecida: de R$ 1,95 a R$ 2,00 o quilo, segundo Severino Antunes Bezerra, diretor técnico da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) em Toledo, no Oeste do Estado. Segundo o veterinário Tiago Tamamini, do Deral, entre preços mínimos e máximos obtidos pelos produtores, a rentabilidade do setor tem ficado entre 25 e 30%.
Os insumos para a produção estão com bastante oferta no mercado paranaense, o que significa uma situação favorável para os compradores de milho e farelo de soja, completa Severino Bezerra. A tendência, segundo ele, é de preços firmes para as próximas semanas. ''A partir de outubro até dezembro há aumento do consumo e, por isso, a rentabilidade poderá se manter,'' prevê Bezerra.
Mesmo com boas perspectivas, o vice-presidente da APS, Romeu Royer, faz um alerta: o produtor não deve investir no aumento de plantel e sim em genética, manejo e melhoria das instalações para elevar índices de produtividade como o maior número de leitão/porca/ano.
Segundo Royer, mesmo com as crises o suinocultor ''não ficou parado'' e tem investido na produção de um suíno que ele chama de industrial, com a preocupação de servir melhor às empresas e de olho no gosto do consumidor, trabalhando na divulgação das qualidades da carne suína para a dieta humana.
O investimento em genética barateou os custos de produção na medida que o animal passou a ter maior conversão em carne e ficar pronto mais cedo e, por isso, mais competitivo, avalia Rouyer. O desafio foi pular de um prazo de 180 dias para terminar um animal para os atuais 160. O produtor também aumentou a produtividade do plantel: se antes eram 18 leitões/porca/ano, hoje quem não tiver 22/leitões/porca/ano, em média, não é competitivo.
O trabalho do suinocultor, avalia Royer, não termina mais no embarque dos animais para o abate, vai além, até o prato. Foi uma visão empresarial do setor, garante, que resultou em parcerias com as indústrias para a colocação de produtos diferenciados no mercado, a exemplo do que já aconteceu com o frango e carne bovina, com a carne em bandejas em cortes variados, produtos semi ou congelados, semiprontos, que podem ficar prontos em 15 minutos de preparo.
A partir da conduta empresarial da atividade, o setor hoje oferta uma carne sem gordura intramuscular, só em camada externa, para garantir a maciez e suculência no produto final, afirma Royer. Segundo ele, o empenho dos criadores é aumentar o consumo per capita. Em 2003 esse consumo ficou em 12,4 kg por habitante e este ano há perspectivas de ficar em 13,5 kg. Desde 2002 a Associação, que hoje mantém 7 mil associados, trabalha na divulgação da carne suína, participando de eventos pelo país divulgando receitas a base de suíno, dicas de preparo e a importância da carne na dieta humana. Mantém também no seu site (www.suino.com/aps) outras informações sobre a carne, além da venda de um livro de receitas.


