O município de Nova Esperança, no Norte do Estado, é conhecido como capital da seda e concentra a maior produção de casulos de bicho-da-seda do Ocidente. A cidade está localizada no centro do chamado Vale da Seda, que envolve 29 municípios da região do Vale do Rio Pirapó. Para dar suporte à cadeia produtiva da seda, a Incubadora Tecnológica de Maringá desenvolveu o projeto Vale da Seda, que busca estabelecer, ainda este ano, a Indicação Geográfica de Procedência para os artigos de seda produzidos na região.
Segundo um dos coordenadores do projeto, João Berdu, o registro ofertará aos consumidores a garantia de composição, qualidade e origem dos produtos. Já para as empresas, o projeto, que conta com apoio do Sebrae, oferece desenvolvimento conjunto de produtos, capacitação para produção e comercialização, estabelecimento de identidade de marca e de ações de marketing. ''A proposta do projeto é credenciar toda a cadeia da seda. A Indicação Geográfica de Procedência vai permitir que pequenas empresas de confecção possam se valer do grande potencial de agregação de valor da seda'', explica Berdu.
Berdu afirma que cerca de 90% da produção nacional é exportada como fio de seda crua - produto de baixo valor agregado -, o que reduz a competitividade da produção. Um dos benefícios obtidos com a IG é a valorização do produto. Estimativa elaborada pela Incubadora aponta que, com o fio de seda obtido com 1 kg de casulo, comercializado a R$ 9/kg, é possível produzir até quatro echarpes de seda, que podem ser comercializadas a R$ 89 cada, gerando uma agregação de valor de aproximadamente 4.000%
Para gerenciar o registro de IG, foi criado o Instituto Vale da Seda. Uma das empresas que será credenciada a comercializar com esse o registro quando for aprovado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) é a Artisans Brasil - Cooperativa dos Produtores de Artesanato em Seda, formada por 40 agricultoras de Nova Esperança. Em 2006, as artesãs começaram a exportar cachecóis para a França e, recentemente, foram selecionadas pelo programa Talentos do Brasil Rural para comercializar seus produtos nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. A artesã Alice Liberato Gargaro produz, em média, três cachecóis por dia e vende cada um por R$ 50, sendo que o retorno para as cooperadas é de R$ 23 por cada produto. ''Esse trabalho caiu do céu. Hoje minha renda vem da aposentadoria e do artesanato'', revela.
A presidente da cooperativa, Dirce Gonçalves dos Santos, é sericicultora há mais de 30 anos. ''É um trabalho muito cansativo, a cada 2h30 temos que tratar os bichos, colocando mais folhas. Temos que nos dedicar totalmente, mas compensa, ainda mais com o incremento dos cachecóis que produzo'', conta. Segundo ela, o quilo do casulo é vendido a uma média de R$ 11. Já o produtor Dorival Alves dos Santos mantém uma produção de 50 mil bichos-da-seda. ''O trabalho não para, mas não é pesado''. comenta. O lucro líquido obtido com a venda de cada caixa de casulo varia de R$ 500 a R$ 600.(M.F.)

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