Curitiba - A agricultura no País revela um cenário cheio de adversidades e um passivo ambiental e social fruto do trabalho, de décadas, em transformar a população rural em sociedade de consumo. Dentro desse contexto, o engenheiro agrônomo Lineu Krul Guasque, ex-professor da UEM e chefe de gabinete do presidente do Crea-PR, pontua que a formação do profissional de Agronomia é focada na difusão e criação de tecnologias e fortemente calcada no consumo de máquinas e insumos agrícolas.
''Os problemas são das mais diversas ordens. Há um passivo social refletido nos bóias-frias, sem-terras, favelas. Esse modelo de formação voltado para o conhecimento dessas tecnologias já foi cumprido. Daqui para frente os cursos devem priorizar o produtor e suas angústias, os interesses do País e estancar o êxodo rural'', defende. ''É espantoso. Raras disciplinas tratam do produtor, a maioria é sobre insumos, tecnologias. A grade curricular precisa ser questionada e sair do foco do consumo apoiado nas commodities. Existem amplas possibilidades de mercado a serem exploradas'', reforça Guasque.
O coordenador do curso de Agronomia da Universidade Federal do Paraná, Luiz Lucchesi, acrescenta que a sociedade demanda, hoje, profissionais com formação holística interdisciplinar. ''Temos um currículo extenso que abrange as áreas de Economia, Zootecnia, Engenharia, Fitotecnia e Meio Ambiente. O engenheiro agrônomo tem uma formação básica, intermediária e profissionalizante que deve ser provida dessa forma, sem que o aluno e o profisisonal perca a visão do todo'', disse Lucchesi que também é presidente eleito da Associação de Engenheiros Agrônomos do Paraná.
''Existem alguns cursos de Agronomia que estão enfatizando umas áreas em detrimento de outras. No final dos cursos, apenas, é ideal que isso ocorra e se oportunize ao acadêmico uma área para especialização'', observa ele, informando que o curso de Agronomia da UFPR, que tem quase 90 anos, forma 100 profissionais, anualmente. ''Sou favorável a abertura de novos cursos de qualidade, que possibilitem aos egressos uma formação plena. No entanto, há mais dez cursos de Agronomia no Paraná registrado no MEC, um número excessivo que não vejo com bons olhos'', critica Lucchesi.

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