A árvore não é um pau à toa. Milhares de espécies têm sua função para o equilíbrio do planeta. Este conceito motiva cientistas, profissionais e produtores que se dedicam a pesquisar e manter as condições necessárias à preservação da flora e fauna. É o caso de Paulo Ernani Ramalho Carvalho, pesquisador da Embrapa Florestas, que há quase 40 anos estuda espécies arbóreas brasileiras e de outros países.
O trabalho do pesquisador vai render cinco volumes - três já lançados - da obra Espécies Arbóreas Brasileiras, que traz descrição, classificação, regiões onde ocorrem as plantas. A obra reúne 304 das 7.800 espécies identificadas no Brasil. Para Carvalho, a catalogação é uma importante ferramenta para o conhecimento e preservação da flora brasileira.
E mais: é a garantia de que todo esse patrimônio fique em poder dos brasileiros. ''Muito da nossa riqueza vegetal foi e continua sendo roubada por pessoas de outros países'', afirma. Ele cita o exemplo clássico da fragrância 'channel nº 5', patenteada pelos franceses, que tem origem na árvore brasileira pau rosa (Aniba rosaeodora). Princípio ativo de medicamentos são obtidos de material brasileiro e patenteado por multinacionais.
Pesquisadores e muitas vezes curiosos de outros países se empenham para fazer pesquisas no Brasil, o país com a maior diversidade do mundo. ''Eles não medem esforços, chegam a economizar um ano inteiro para viabilizar a viagem'', diz. Enquanto isso, critica, nós brasileiros assistimos a isso placidamente.
Segundo o pesquisador, os estrangeiros têm uma estratégia que lhes possibilita obter informações preciosas. ''Quando chegam à Amazônia, por exemplo, não procuram instituições oficiais de pesquisa, como a Universidade Federal ou o Instituto de Pesquisas da Amazônia. Vão diretamente aos pajés das tribos'', afirma Carvalho.
Há ainda uma outra forma de subtrair as riquezas brasileiras. Como o contrabando muitas vezes é coibido nos aeroportos, os estrangeiros utilizam tecnologia de satélite para enviar as informações sobre os organismos vegetais.
Em meados de dezembro, o pesquisador visitou os três arboretos da fazenda Bimini, em Rolândia. O local, mantido pela família Steidle, é uma extensão do campo de pesquisa da Embrapa Florestas, situada em Colombo, região sul do Estado. ''Aqui temos 400 espécies arbóreas do mundo. É a segunda maior unidade demonstrativa do Brasil em número de espécies'', afirma Carvalho.
Por meio de pesquisas, o Brasil deve tomar posse do seu patrimônio, defende Carvalho. ''Há muito poucos estudos sobre as espécies vegetais, e é premente que o país invista nisso'', afirma. E um das mais importantes linhas de pesquisa é a dos usos não madeiráveis das plantas.
Daniel Steidle, um dos proprietários da fazenda Binimi, compartilha da mesma opinião do pesquisador da Embrapa. ''Estamos perdendo nossa história'', alerta. Ele e sua família se empenham com vigor para manter os arboretos, implantados em três hectares da fazenda e que são chamados de ''sala de aula ao ar livre''.
''Estudantes da região podem visitar o local e aprender sobre a natureza'', afirma Steidle, que recebe uma média de três mil visitantes por ano. Para ele, cada município deveria compor arboretos para preservar espécies e ser fonte de conhecimento para a população.
Desde 1997, a fazenda Bimini tem sido um espaço para pesquisas da Embrapa Florestas. Naquele ano, foi implantado o primeiro arboreto - florestal - com 48 espécies. Em 2000 foi formado o arboreto botânico, com 256 espécies e, em 2007, o arboreto comparativo, com 123 espécies.
Serviço: Os volumes da coleção ''Espécies arbóreas brasileiras'' podem ser encontrados em algumas livrarias ou adquiridos pelo e mail:

[email protected]

mockup