Conhecimento é desafio na transição e conversão de sistema
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sábado, 14 de setembro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

Os números do Mapa mostram o poder da agricultura orgânica e como os produtores estão buscando esse novo status para as propriedades. No ano passado, o mercado de orgânicos movimentou R$ 4 bilhões, fortalecendo toda uma cadeia no País que conta com cerca de 18 mil produtores certificados.
“O momento é bom, dinâmico, com muitos agricultores vindo atrás da assistência técnica para conhecer o sistema. São sistemas que conseguem solucionar problemas comuns, principalmente na produção de hortaliças, frutas e olerícolas. Eles usam vários instrumentos, processos e metodologias naturais e obtêm respostas que não estavam tendo no sistema convencional. Isso faz com que muitos venham atrás desse conhecimento”, avalia o coordenador da área de Agroecologia do Instituto Emater, Paulo Lizarelli.
Pelo lado da venda, Lizarelli acredita que o consumidor está na busca desse tipo de alimento e isso não está restrito às grandes cidades. “Independentemente do tamanho do município, a busca dos consumidores por alimentos saudáveis, sem resíduos e orgânicos é muito grande. Hoje a demanda já está maior que a oferta e, com o encaminhamento dessas políticas públicas, teremos um aumento de produção.”
Ele cita, por exemplo, que no município de Ivaiporã, onde está alocado, há três anos um grupo de WhatsApp de consumidores tem contato direto com oito produtores fornecedores e uma cooperativa, que se organizaram graças à Emater e ao IFPR (Instituto Federal do Paraná). “É a venda direta sem intermediários, o que chamamos de circuito curto de comercialização. Iniciativas como essa estão em várias cidades, além das feiras. O momento é promissor baseado em ações concretas.”
Mas os desafios são muitos para que os produtores, de fato, surfem nessa onda dos orgânicos. Para o representante da agroecologia da Emater, o maior deles é o pedagógico, do conhecimento, para fazer a transição e conversão ao sistema. “O desafio pedagógico desencadeia em ações na infraestrutura da propriedade, mudar construções, comprar equipamentos, adaptações, desafios concretos que geram busca por financiamento, que inclusive não fluem tão bem, como é o caso do Pronaf Agroecológico. Além disso, é fundamental a proximidade com a assistência técnica para que se leve esse conhecimento até o produtor.”
Outro ponto complexo, segundo Lizarelli, são as barreiras de gestão. No sistema orgânico, todos os detalhes precisam estar na ponta do lápis. “Anotações do caderno de campo, o planejamento do Plano de Manejo Orgânico, documentos obrigatórios para entregar ao Mapa junto à cerificadora para a obtenção do registro. Administração desses fatores e dos números financeiros, como custos de produção, para saber inclusive até onde é possível ir com os preços.”
Por fim, para Lizarelli, apesar das projeções positivas com a merenda escolar do Estado, os produtores não podem colocar toda a força de produção que possuem nos mercados institucionais. “A alimentação escolar tem sua sazonalidade, então é preciso encontrar outros canais de comercialização, fazer uma diversificação, atendendo as demandas da agroindústria, mercados locais, feiras, mercadinhos, integradoras e processadoras.”


