Conhecimento e criatividade levam soluções ao campo
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sexta-feira, 05 de outubro de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Tecnologias facilitam, e muito, a vida dos produtores. As inovações não precisam necessariamente resultar da produção científica ou acadêmica do país, mas podem ser fruto do trabalho de pessoas interessadas em contribuir com atividade nas lavouras ou com o beneficiamento de produtos. A busca por exemplos de eficácia identificou dezenas de inovações na Ruraltech, evento promovido pela Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec) durante sete anos, de 1998 a 2004, na Exposição Agropecuária de Londrina.
Apesar da extinção do evento, por falta de recursos financeiros, a Ruraltech mostrou que a agropecuária pode se beneficiar da criatividade e conhecimento de agricultores, técnicos e pesquisadores. Uma das inovações premiadas foi a de um pulverizador instalado numa roda de bicicleta, desenvolvido pelo produtor catarinense, Gilberto Renato Knapik. Outro bom exemplo é uma máquina derriçadeira de café e uma tabela que possibilita ao agricultor planejar as aplicações de veneno na lavoura de milho, além do modelo de cultivo do café adensado.
A praticidade da tecnologia, a possibilidade de sua inserção na atividade rural e as perspectivas de agregar valor à propriedade foram os critérios para selecionar e premiar as inovações. Ao longo das sete edições da Ruraltech 180 tecnologias foram selecionadas e 38 premiadas. ''A iniciativa levava em conta a praticidade e menos o brilhantismo da inovação, como gostam de destacar alguns cientistas'', explica Paulo Varela Sendin, coordenador da mostra.
Sendin afirma que a Ruraltech teve um importante papel na disseminação de softwares para a agricultura. No período pelo menos uma dezena de programas de computador recebeu premiação. ''De certa forma fomos pioneiros. Naquela época não se ouvia falar disso'', diz, lembrando que atualmente existem até mesmo eventos sobre agroinformática, como um congresso realizado no ano passado. ''A mostra reafirmou Londrina como centro de tecnologia do agronegócio'', enfatiza.
Se houver patrocínio, a Ruraltech pode voltar a ser uma vitrine de inovações, segundo Paulo Sendin. A mostra sofreu os efeitos da escassez de recursos, fundamentais para sua viabilização. As primeiras edições contaram com a participação do Fundo de (Finep), que custeava parte das despesas com o aluguel de espaço e instalação do estande na Exposição de Londrina. Segundo o coordenador, a mostra teve apoio do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Embrapa, Emater, uma fundação ligada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba, e outras entidades e instituições.
Porém, o apoio financeiro era escasso, o que resultou no fim da Ruraltech. Houve importantes premiações em dinheiro ou em equipamentos. ''No primeiro ano, os prêmios de todas as categorias somaram R$ 18 mil'', diz Sendin, lembrando que a mostra serviu também como exemplo para outras premiações no setor. De acordo com Sendin, se naquela época houvesse investimentos da iniciativa privada, a mostra poderia ter tido continuidade.


