Conhecimento dos candidatos é ''apenas superficial''
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Carina Paccola<BR>Reportagem Local 
É superficial o conhecimento sobre agricultura dos candidatos a presidente - Lula, José Serra, Garotinho e Ciro Gomes -, na opinião de agropecuaristas que se reuniram em Londrina para assistir ao debate promovido pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), na segunda-feira. O debate foi transmitido ao vivo pelo Canal Rural, das 14h às 16h. Dentro desse tempo, 15 agropecuaristas entraram e saíram da sala com telão, no Sindicato Rural de Londrina.
Alguns dos agricultores confessaram que se surpreenderam com Anthony Garotinho, do PSB, que, na opinião deles, é o que melhor conhece a área, por ter sido secretário da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro.
O debate não provocou nenhuma mudança na intenção do voto. ''Os candidatos estão reunidos com as lideranças da agricultura, portanto, rasgaram seda para o setor'', disse o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando Almeida Kalinowski. Mesmo assim, ele considerou a iniciativa importante e anotou todos os pontos e promessas apresentados pelos candidatos.
O seguro agrícola foi promessa do candidato governista José Serra (PSDB). Para Kalinowski, Serra fez uma abordagem mais macro do setor. Outra proposta de Serra - que Kalinowski anotou - foi a de aumentar o investimento do PIB agrícola em pesquisa de 1,3% para 2,3%. ''Ciro é o menos informado, está mais por dentro apenas da alta tecnologia, como biotecnologia. Lula não falou da agricultura comercial. Só da agricultura familiar. Esquece do Brasil comercial, competitivo. E Garotinho teve bons momentos, mas falou alguma bobagem.''
Antônio Nelson Fernandes, que mora em Londrina mas é pecuarista em Kaloré, defende um estudo mais aprofundado da agropecuária brasileira. Mostrou-se descrente do papel do governo no desenvolvimento agrícola. Fernandes defende que o Estado deve se afastar do setor e deixar o setor organizado tomar as iniciativas. E os recursos? Aí seriam do governo, claro.
A agricultura familiar - defendida por Lula - é considerada balela pelos agropecuaristas. Durante o debate, essa fala de Lula foi a que mais suscitou comentários. ''Agricultura familiar? Ele está por fora. É assim que vai garantir qualidade dos alimentos? Onde? Em um alqueire, dois alqueires? Ah!!'', disseram.
Mas o candidato do PT não assusta mais ninguém. Os agropecuaristas garantem que nunca se assustaram com Lula, mas admitem que ele está bem mudado. ''Até no corte de cabelo e na roupa'', disse o agricultor Sérgio Bastos, diretor comercial da Sociedade Rural do Paraná.
Todos ouviram atentamente quando Lula falou de direito de propriedade e reforma agrária. O candidato petista assegurou que vai cumprir a Constituição.
''É possível fazer reforma agrária, por uma questão de justiça social, sem violência e sem ocupação de terra. Com 90 milhões de hectares de terra disponíveis para reforma agrária não sei por que violência. Fazer uma reforma agrária tranquila, ordeira e pacífica depende da disposição do governo de sentar e negociar. Este é um caminho ara encontrar a paz no campo.''


