Esta prática conhecida, mas pouco empregada, principalmente na região dos Cerrados, pode ser usada como incorporação de plantas condicionadoras de solo e como cobertura, ambas técnicas de grande importância no uso e manejo racional dos sistemas agrícolas, segundo afirma a pesquisadora Arminda Carvalho, do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados (órgão da Embrapa).
A pesquisadora explica que a incorporação tem efeitos mais imediatos no solo, inclusive nas camadas mais profundas, melhorando suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Nos Cerrados as legumiosoas mais promissoras são a mucuna-preta, a crotalária juncea, o feijão-de-porco, o feijão-bravo e o feijão guandu.
A utilização dessa prática, principalmente nos Cerrados, é muito importante pois os solos desta região, na maioria das vezes, estão sofrendo processos de degradação devido a uma exploração inadequada. Arminda diz que o produtor pode utilizar a adubação verde de duas formas: em consórcio, quando a cultura e o adubo verde são cultivados simultanemante, como é o caso de milho e mucuna; ou em sucessão, onde o adubo verde é semeado logo após a cultura comercial, aproveitando o final do período chuvoso e, mantendo o solo coberto na entressafra.
Arminda ressalta a importância de se fazer uma roçagem das plantas na floração, pois além de, geralmente, ter a maior concentração de nutrientes na sua parte aérea, evita a formação de sementes e consequentemente a transformação destas plantas em invasoras. Ela como exemplos a mucuna e o feijão bravo do Ceará.
Rotação Salienta a pesquisadora que a rotação de culturas é fundamental para o sucesso dos sistemas agrícolas, tendo como uma das principais vantagens a redução da incidência de doenças, pragas e ervas daninhas. A pesquisadora cita como exemplo o controle de nematóides por crotalárias. Além das leguminosas, o produtor pode usar plantas de outras famílias como o nabo-forrageiro, o sorgo, o milheto ou o girassol como adubos verdes.
Com relação ao benefício nos custos, Arminda diz que uma economia significativa para o produtor com a adubação verde (no caso das leguminosas) é a fixação do nitrogênio no ar atmosférico. A mucuna-preta chega a fixar 157 kg/ha de nitrogênio, a crotalária juncea até 155 kg/ha de nitrogênio, o feijão-de-porco até 190 kg/ha e o guandu 280 kg/ha. Outro benefício é o fornecimento da disponibilidade de fósforo no solo.
A adubação verde permite, ainda, uma maior reciclagem de nutrientes, aumento de teores, melhoria da qualidade de matéria orgânica, melhoria da atividade biológica do solo, agregação do solo, melhor infiltração e armazenamento de água, redução da compactação e da erosão do solo. Em experimentos conduzidos em sucessão, houve um incremento de 1.500 kg/ha na produtividde do milho, ao se usar feijão-de-porco.
Ao falar sobre o planto direto, Arminda enfatiza a necessidade deste sistema estar baseado em rotação de culturas. Devem-se usar alternativas na safrinha como o nabo-forrageiro, o sorgo, a crotalária, o guandu, a mucuna e o milheto. Arminda conclui, dizendo que a dificuldde de encontrar sementes, muitas vezes, desestimula o produtor à prática da adubação verde. Uma opção seria o lavrador produzir suas próprias sementes.

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