Conheça mais e controle melhor
A luta contra o carrapato é antiga; ocorre em grande parte do mundo, e ele já desenvolveu resistência aos produtos carrapaticidas. O médico veterinário Luiz Sérgio Merlini, professor da Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, de Bandeirantes, PR, diz que aquele inseto adapta-se aos produtos de controle, quando a apicação é malfeita. Merlini mostra como fazer o controle bem feito.
Primeiro, lembra que a maioria dos carrapaticidas possui uma característica em comum: agem por ingestão e por contato. Ele recomenda que, por isto, é indispensável que o carrapaticida atinja todas as partes do bovino, para dessa forma entrar em contato com o carrapato. Quando a pulverização é malfeita, os carrapatos vão-se adaptando ao produto, e podem desenvolver resistência, que é transmitida a todos os seus descendentes, pois é de ordem genética, ensina Merlini. Ele salienta que, para evitar a resistência, é necessário que o produtor estabeleça normas corretas de aplicação, para ter sucesso durante longo período.
Normas O professor Luiz Sérgio Merlini aponta as normas para aplicação correta dos carrapaticidas: 1 - ler atentamente a bula do produto e seguir as determinações técnicas doa fabricante; 2 - boa pressão do pulverizador para atingir a pele do animal e os carrapatos, 3 - fazer a pulverização em sentido contrário ao pelo e a favor do vento, e atingir 100% do corpo do animal; 4 - usar no mínimo 5 litros de solução para cada animal adulto.
Conhecendo o comportamento do carrapato, podemos reduzir a infestação dos pastos e dos animais. O melhor uso dos produtos e um controle eficiente dos carrapatos podem ser feitos, adotando-se a prática dos banhos estratégicos, ensina Merlini.
Ele lembra que os carrapatos reiniciam o seu ciclo no começo da primavera (setembro), na maior parte do Estado. Nesta época, diz, a aplicação de banhos com intervalos de 21 dias (período de vida do carrapato) diminuirá bastante a população de carrapatos.
O primeiro banho é dado entre 15 e 30 de outubro. Para o período outubro- dezembro são recomendados três banhos, e mais dois de abril a maio, dependendo da infestação de carrapatos. Entre um banho e outro, deve-se obedecer o intervalo de 21 dias. Isto, segundo o veterinário e professor da FALM, evitará que uma grande quantidade de fêmeas adultas do carrapato entrem em contato com os produtos carrapaticidas, diminuindo assim as chances dos novos carrapatos ficarem resistentes ao efeito destes produtos.
A vida Durante sua vida parasitária de 21 dias, a fêmea do carrapato do boi ingere de 0,5 a 3 ml de sangue. Ao sugar, ela causa irritação no animal, lesões no couro, não permite que o animal paste normalmente, diminuindo a produção de carne e leite, favorecendo a ocorrência de doenças, principalmente a Babesia bovina. Além disto, o combate ao parasita é de alto custo.
A vida do carrapato tem duas fases, explica o veterinário: a primeira, de vida livre, no solo; a segunda, parasitária, no corpo do animal parasitado. No bovino, ele se alimenta e cresce durante aproximadamente três semanas. O inseto se prende ao gado quando ainda é pequeno, no estágio de larva, e se desenvolve sugando o sangue até ficar adulto, quando se acasala e cai no solo para fazer a postura.
A fêmea põe, na pastagem, em média três mil ovos. Depois morre. Aos sete dias após o nascimento das larvas, elas já estão prontas para infestar os bovinos. Em condições ideais de temperatura e umidade, as larvas podem permanecer até sete meses nas pastagens.
Gerações Durante o ano, em quase todo o Estado, formam-se três gerações de carrapatos. Em setembro, início da primavera, os carrapatos começam a aparecer em maior quantidade. É a primeira geração do ano. Nesta época as larvas que estão nas pastagens subirão nos bovinos, dos quais cairão 21 dias depois, no parto da nova postura. Desta postura nasce a segunda geração de larvas que infestarão os bovinos nos meses de janeiro e fevereiro. A terceira geração occorre no outono, nos meses de abril e maio, quando acontece a maior presença de carrapatos nos bovinos. Isto se deve à infestação das pastagens com larvas de primeira e segunda geração, à espera do gado para completar o seu ciclo de vida.





