Confinar ou deixar os bois no pasto
Cláudia Barberato
De Londrina
Este será um ano de bons resultados para o confinamento? Depende do comportamento do clima. Há analistas e técnicos que acreditam que o confinamento é um bom negócio se for considerado o preço futuro da arroba, previsto no Paraná para US$35 no pico da entressafra, em outubro. Outros acreditam que o risco, a exemplo dos últimos três anos, é grande e não se ganhará dinheiro com o confinamento. No máximo haverá um empate.
Até o final de junho e início de julho, os ventos sopravam favoráveis para o sistema de confinamento de bois. A metereologia previa inverno rigoroso, seca e geadas em várias regiões produtoras importantes em pecuária de corte. De lá para cá as chuvas pararam, os dias ficaram mais quentes e os pastos, em algumas regiões, verdes, fazendo com que previsão de preços mais altos e viabilidade do confinamento fosse reavaliada.
Mudança climáticaNum inverno rigoroso e com possibilidade de geadas, as pastagens seriam queimadas ou ficariam muito precárias e não se teria como terminar animais a pasto. O gado que estivesse confinado, ganhando peso, seria a oferta do mercado, que estaria com falta de bois prontos para o abate.
Para São Paulo o preço da arroba para outubro, previsto em junho, ficaria entre US$38/36, com as condições climáticas de inverno rigoroso. Hoje, com a mudança climática, este preço, segundo o consultor José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria & Comércio, de São Paulo, já foi reduzido para US$34.
Vicente Ferraz avalia que no caso de baixas temperaturas, num primeiro momento, os preços da arroba do boi caíriam um pouco, com a desova do gado de quem não tem suplemento para fornecer aos animais.
O pecuarista que confinou, segundo ele, teria um empate entre gastos e renda do sistema; até porque quando comprou o boi magro para a engorda, em abril ou maio, pagou por ele um preço alto, por volta de US$19,50 a arroba, entre R$350/320,00 pelo animal. Ou mesmo se não comprou o boi magro já o tinha na fazenda ao preço de mercado. Em grandes confinamentos, eficientes e com custos bem baixo até pode haver o empate entre gastos e lucros, mas na média o confinamento este ano não será um bom negócio.
VantagemJá o veterinário Adélio Borges, do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, acredita na vantagem de quem pagou menos do que vale hoje o boi magro, ou de quem faz o ciclo todo de cria, recria e engorda. Ele recomenda o confinamento tardio, em julho, de 100 a 110 dias, com bois bem erados e ração para ganho de peso. Para aquele pecuarista que dispõe de comida será um bom negócio. Trabalhando com uma arroba a US$35 para outubro, o veterinário acredita que o confinamento ainda este mês será vantajoso para o pecuarista.Quem não fez manejo adequado das pastagens nas águas (no verão) está sem condições de manter os animais no pasto, que está queimado devido as baixas temperaturas registradas em junho.
Faz tempo que não se fala de vantagens do confinamento, afirma Borges. De 1996 até 1998 o cenário de preços da arroba na entressafra nunca foi favorável, o que explica a redução no número de confinamentos (a tecnologia possibilita ganho de preços melhores já que proporciona o boi pronto em época onde não há grande oferta). O risco financeiro era muito grande.
Houve também a entrada de carcaças e animais vivos de países do Mercosul, aliado ao clima, com mais chuvas e temperaturas amenas para o desenvolvimento das pastagens e o diferencial do preço do boi magro na safra. Esses fatores, avalia o veterinário, sempre foram determinantes para reduzir o número de confinamentos e aumentar os riscos com o sistema. Outro fator que determina a opção pelo confinamento é preço futuro. Quando acena com alta o confinamento, para quem quer ter boi pronto mais cedo, é uma boa opção.
Na ponta do lápis Para provar a viabilidade do sistema o veterinário faz as contas: se a arroba ficar em R$34,00 ou acima de RS$32,00, no pico da entressafra, o confinamento será compesador. Se o pecuarista comprar o boi magro a R$350,00, terá um custo de R$0,80/dia (na média) com a alimentação em 100 dias de confinamento desse animal.
Com o abate desse boi gordo de 18 arrobas, valendo R$34,00, receberia R$612,00, menos o custo de R$80,00 (com R$0,80/dia) em 100 dias de confinamento) e sobrariam R$430,00. Se o boi foi vendido a R$621,00 e custou R$430,00, o lucro seria de R$182,00, o signficia 42%. Em 100 dias de confinamento o lucro chegaria a 10,5% ao mês, o que representa uma boa rentabilidade do sistema. Mesmo num confinamento de 120 dias, com um preço maior do boi magro e a arroba a R$32,00, Borges acredita que a rentabilidade ficaria na casa dos 8,5% ao mês.Há expectativa de bons preços para a arroba em outubro, mas confinar é sempre um risco. Quem não fechou os animais deverá dar suplemento
Confinamento deverá render bem para o pecuarista que já tem a instalação e comida na propriedadeCondição do pasto em algumas regiões exige suplementação no cocho, a fim de manter pesoRisco Apostando no preço da arroba por volta dos US$35/34,00, no pico da entressafra, técnico aconselha confinar os animais





