Tradicionalmente, a partir de agosto, com o período de estiagem instalado no Estado, o confinamento é a saída para a pastagem seca, que inibe a oferta de boi de capim no trimestre seguinte. No entanto, a realidade neste ano é outra. A falta de oferta de gado de reposição e alta no preço dos grãos e insumos, esfriaram as perspectivas de crescimento para o setor, que segundo a Associação Nacional de Confinadores (Assocon) será de 20% contra os 30% esperados. ''A compra de gado magro corresponde a 75% dos custos depois que a arroba valorizou por causa da escassez de animais. Caro hoje é comprar animal'', analisa o presidente da Assocon Juán Lebrón. A instituição responde por 25% da produção total brasileira de 2,5 milhões, cotada para este ano.
A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou nesta semana em Brasília, que apesar da valorização de 3,35% no preço da arroba do boi gordo no primeiro trimestre de 2008, a renda do pecuarista não cobriu os custos de produção da atividade. De janeiro a março, o Custo Operacional Efetivo (COE) e o Custo Operacional Total (COT) variaram 13,3% e 10,6%, respectivamente. ''Nunca foi tão caro produzir um boi no Brasil'', disse o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira.
O suplemento mineral usado na alimentação do rebanho acumulou acréscimo de 48,25% no ano. Conforme os dados dos Ativos da Pecuária de Corte, este item representou 18,42% dos custos totais da pecuária nos três primeiros meses do ano. Ainda segundo a CNA, de março de 2003 a fevereiro deste ano, há uma defasagem de mais de 30% dos custos de produção em relação à valorização da arroba. Enquanto o COT subiu 63,19%, a arroba teve valorização de 27,22%.
Diante da planilha de contas a pagar, o confinador André Carioba decidiu expandir de 4 mil para 20 mil cabeças confinadas até 2010, dependendo da retomada do ciclo de baixa da pecuária. ''A idéia é aumentar o volume para se ganhar na escala''. comenta. O pecuarista, também presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte, iniciou a engorga do gado em maio, quando a arroba do boi magro estava ''menos salgada''. Agora se prepara para o segundo turno com a arroba por volta dos R$ 90. ''É uma época tradicional de confinamento e em agosto acredito em uma retomada de preço do boi magro que deve chegar a R$ 100 a arroba'', afirma.
Em um cálculo rápido, ele diz que um animal custa R$ 3,5/dia em alimentação para um período de engorda que varia entre 80 a 100 dias. ''Eu compro um boi de 12 arrobas por R$ 1,1 mil e o vendo para o frigorífico depois de terminado, com 17 arrobas a R$ 1.530. Com a arroba a R$ 90, eu tive um lucro de R$ 80''. A ração utilizada é composta de silagem ou farelo de milho e subprodutos de soja, itens produzidos na fazenda.

mockup