Condução da horta sem amadorismos
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Há tempos que a produção de hortaliças vem sendo apresentada como uma opção para a manutenção do pequeno produtor no campo. A atividade se mostra atrativa pela boa rentabilidade e o rápido giro de capital. Além disso, o menor ciclo de produção possibilita atender a demanda do mercado.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), nos últimos anos a área plantada de hortaliças sofreu oscilações. Há anos em que são registrados crescimentos e, em outros, decréscimo nas áreas cultivadas. A explicação pode estar na troca de cultivos, especialmente sob a influência da soja pela alta liquidez, e na questão de produtores não tradicionais que apostam na atividade mas não obtém sucesso.
A atividade também pode ser apontada como uma das que mais quebram o pequeno produtor que não tem experiência no setor, alerta Maria Augusta Spagnolo, engenheira agrônoma e consultora. ''Não há espaço para uma produção amadora. Familiar sim, mas com um bom nível técnico'', frisa.
No Paraná, segundo a consultora, não existe muita tradição na produção de hortaliças, o que para ela, pode justificar os investimentos que não obtém sucesso, num perigoso amadorismo. ''Alguns começam errado''. Entre os principais erros cometidos, está o uso de sementes não certificadas ou mesmo chamadas de ''caseiras''. ''A qualidade da semente é responsável por 70% da produtividade e vigor da planta'', alerta.
Além de um índice de germinação superior a 90%, as boas sementes disponíveis no mercado são resistentes a muitas doenças fúngicas, bacterianas e ainda aos temidos nematóides. ''O produtor pode reduzir a aplicação de defensivos e, com isso, ter menor custo de produção'', avisa. Augusta cita ainda que esse manejo traz a vantagem de preservar o meio ambiente.
Endividamento A consultora alerta para outra prática perigosa entre os ''novatos da horticultura'': estocar defensivos químicos. De acordo com Maria Augusta, é comum encontrar algumas ''ofertas'' de defensivos com um longo prazo para pagamento, os chamados kits prontos. O produtor acaba comprando produtos que não irá usar ou, então, realiza aplicações desnecessárias de veneno. Numa intempérie climática, por exemplo, que possa afetar a produtividade da sua lavoura ele terá não só o prejuízo na produção, mas também a dívida dos insumos a pagar.
Maria Augusta recomenda que os produtores não se sintam tentados a comprar produtos antecipadamente, mesmo que as promoções sejam tentadoras. ''Agrotóxicos não se estocam.'' Ela orienta para sigam orientação técnica para isso, do contrário estarão jogando dinheiro fora.
Permanecer na atividade, de acordo com Maria Augusta, exige ainda um prévio conhecimento das necessidades de mercado. Para se produzir o que todo mundo produz, analisa, é preciso ganhar em escala. Então, ter 3 ou 4 variedades diferenciadas garantem maior valor agregado.
As novidades em variedades e tipos de produtos disponíveis no mercado, informa a consultora, representam opções rentáveis na horticultura. O agricultor pode fungir do convencional e cultivar produtos diferenciados.
Maria Augusta cita uma curiosidade interessante: nos Estados Unidos, em 1975, eram ofertadas ao consumidor cerca de 65 variedades de hortaliças. Com o avanço das pesquisas agronômicas em todo o mundo, estima-se que em 2010 o consumidor tenha pelo menos 400 tipos de hortaliças.


