Lançado em abril de 1998, durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o concurso ‘‘Café Qualidade Paranᒒ, que naquele ano foi restrito aos cafeicultores assistidos pela Emater, neste ano (safra 1999-2000) foi aberto a todos os cafeicultores paranaenses. Eles encaminharam cerca de 200 amostras à comissão organizadora, para seleção, e o material tem confirmado uma constatação antes restrita à área técnica: o Estado produz cafés superiores.
O concurso, instituído pelo Governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura, é realizado pela Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Centro do Comércio de Café do Norte do Paraná e Bolsa de Mercadorias de Londrina. O ‘‘Café Qualidade Paraná Concurso Estadual 2000’’ recebeu inscrições de 1º de junho a 30 de agosto e os prêmios serão entregues em meados de novembro ou em dezembro, durante o Seminário do Café, em Londrina.
PrêmiosSerão distribuídos prêmios aos produtores responsáveis pelas amostras classificadas nos dez primeiros lugares: o primeiro lugar dará direito a um prêmio de R$10.000,00 em dinheiro e ágio de U$10,00 por saca beneficiada do lote mínimo adquirido pelo patrocinador; o segundo, o terceiro e o quarto também receberão prêmios em dinheiro. Respectivamente, pela ordem: R$5.000,00, R$3.000,00 e R$2.000,00. Os produtores classificados do 5º ao 9º lugares receberão uma máquina manual de derriçar café e o décimo ganhará uma máquina de tirar renda de café.
Os cafeicultores que enviaram café cereja descascado são considerados categoria especial. Os dez primeiros classificados têm direito a prêmios. O primeiro e o segundo ganham uma passagem de ida-e-volta à Costa Rica. Além disso recebem, como os demais até o 10º lugar, menções honrosas.
O concurso é patrocinado pelas empresas Copacol, Ultragaz, Café itamaraty, Bayer do Brasil, Sthil, Cocamar e Pinhalense. A iniciativa tem apoio da Sociedade Rural do Paraná, Projeto Paraná 12 Meses, prefeituras, Ocepar, cooperativas, Faep, Fetaep, Apac, Claspar e Câmara Setorial do Café.
ConfirmaçãoO engenheiro-agrônomo Francisco Barbosa, do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, explica que as amostras recebidas passam inicialmente por aquele setor, que faz a primeira análise e as encaminha ao Centro do Comércio do Café do Norte do Paraná. O Centro seleciona 50 amostras; depois, Barbosa e outros técnicos confirmarão a origem dos lotes, nas propriedades de onde foram encaminhados para o concurso.
Das amostras enccaminhadas ao concurso, informa Barbosa, 99% são de café colhido no pano, método que evita a mistura do produto novo com café caído anteriormente e no solo pode ter perdido a qualidade. Porém, mais importante ainda do que colher no pano, diz o técnico, é colher café maduro, para evitar perda de qualidade.
Barbosa salienta que, além desses cuidados indispensáveis para se obter um bom café, está sendo dada atenção aos atributos aroma, corpo e acidez.
Agregação de valoresO Paraná já produziu 50% do café brasileiro e hoje contribui apenas com 8% do total do País. Naquela época, ainda nos anos 60-70, o café era tratado como qualquer commoditie, isto é, pelo volume da produção, mas deixou essa categoria e agora precisa de algo mais, a qualidade, para ganhar maior fatia do mercado. e preços melhor. Para voltar a ser atraente, a cafeicultura precisa de valor agregado, o café tornar-se uma bebida fina como os bons vinhos, por exemplo.
Essa é a proposta dos técnicos e autoridades envolvidos no Programa Café Qualidade Paraná, lançado pela Seab como instrumento para fomentar a qualidade do produto paranaense. Francisco Barbosa prevê que quem produz o café commoditie, o café tradicional, venderá por preço mais baixo e quem produz café especial – o orgânico, o ecológico, ‘‘alguma coisa que agregue valor’’ – conseguirá preço melhor. Aqui entra o café paranaense de boa qualidade, preferido para o café ‘‘spresso’’ , o tipo de preparo que mais cresce no mundo.

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