Curitiba - Um setor em profundo processo de ajustamento e mudança, com a existência de muitos perfis de famílias rurais. Foi o que revelou pesquisa sobre o perfil do agricultor brasileiro feita em 2001 pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Alguns indicadores mostram que melhorou o acesso dessas famílias às facilidades proporcionadas pelos meios de comunicação, embora muitos permanecem ainda alheios às mudanças.
Ainda hoje, o que se percebe é um agricultor em busca do aumento da competitividade em sua propriedade para enfrentar a concorrência proporcionada pela abertura de mercado, disse o chefe do departamento econômico da CNA, Getúlio Pernambuco. Segundo ele a abertura de mercado com o Mercosul, trouxe maior competitividade para os produtores de arroz e de trigo, que aumentaram a incorporação de novas tecnologias para não ficarem para trás na concorrência.
A melhoria de renda que vem sendo obtida no campo nos últimos anos está sendo aplicada na modernização dos equipamentos utilizados nas lavouras como tratores e colheitadeiras e na redução das perdas na lavoura. Para se ter uma idéia, 30% do parque de máquinas já foi renovado, constatou a CNA. Nas casas, o produtor está investindo em equipamentos que melhoram o acesso à informação.
A maioria delas é equipada com TV e antenas parabólicas. De acordo com a pesquisa, 92% dos produtores consultados têm aparelhos de TV em casa e 48% possuem antenas parabólicas. ''O agricultor aprendeu que pode aumentar sua renda se estiver em sintonia com o mercado e isso se consegue com comunicação'', justificou Pernambuco.
Depois dos serviços básicos (água e luz), e da TV, o uso do automóvel está bastante disseminado no meio rural, sendo que 70% dos entrevistados da pesquisa da CNA possuem veículos na propriedade.
O aumento da concorrência e da produtividade também vem determinando o nível de escolaridade. Pernambuco citou como exemplo o nível escolar dos agricultores da região Centro-Oeste, uma das mais altas do País, em torno de 8,08 anos, enquanto na região Sul a média de estudo é de 5,49 anos e, no Nordeste, de 1,97 anos. ''Quanto mais competitiva uma região, mais o agricultor busca especializar seus conhecimentos para acompanhar a concorrência'', explicou.
Mas o padrão de tecnologia utilizada no campo é muito heterogêneo, mostra a pesquisa. As diferenças no campo, entre as famílias ainda são muito acentuadas, destacou Pernambuco. Ele citou como exemplo os produtores de leite, cujo rendimento dificulta a modernização da atividade na propriedade. Também os suinocultores e os cafeicultores estão perdendo renda desde o ano passado e isso influencia no modo de vida de cada um e nos investimentos na propriedade.

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