Os últimos números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) apontam para uma produção, em 2014, de 80,4 mil toneladas de uva no Estado, sendo Marialva responsável por 37% do montante estadual. Quando se pensa nas uvas de mesa – como as variedades Itália, Rubi, Benitaka e Brasil –, o valor sobe para 49% de tudo o que é produzido em solo paranaense. Outros municípios que trabalham com uvas finas são Bandeirantes, Uraí e Jandaia. O Estado é o quarto maior produtor da fruta no País, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul, Pernambuco e São Paulo. Bahia está no quinto lugar.
O técnico do Deral Paulo Andrade relata que a situação dos produtores está bem complexa. "Estamos numa região com muita umidade e os custos de produção estão elevados para manter a cultura. O município tem buscado algumas alternativas para trabalhar de forma mais eficiente, como é o caso da plasticultura, em que os parreirais ficam protegidas e sofrem menos danos com a chuva."
Outro ponto que atrapalha os produtores da região é a concorrência com a uva do Nordeste do País, que ganhou espaço no mercado interno nos últimos anos após ter algumas portas fechadas em países da União Europeia, principalmente após o ano de 2008. "Isso sem dúvida atrapalha a região, já que cada vez mais vemos as variedades produzidas por Pernambuco e Bahia nos supermercados da nossa região, principalmente as uvas sem semente", complementa.
A engenheira agrônoma do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em Marialva, Silvia Capelari, confirma que a uva que chega do Nordeste tem atrapalhado demais a atividade na região. "Isso acaba gerando grandes problemas na comercialização. A uva dos estados nordestinos que chega aqui é de boa qualidade, já que as condições climáticas daquela região são bastante favoráveis para o cultivo. Com isso, eles conseguem entregar um bom volume produtivo e ocupando um espaço que era nosso", explica. (V.L.)

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