A classe produtora pode não concordar, mas Tito Rosa avalia que essa virada de ciclo está deixando claro que os frigoríficos ainda não conseguem impedir a alta do preço do boi. ‘‘Mesmo com a concentração da indústria, o mercado tende a se manter funcionando de acordo com a lei da oferta e da procura. Pelo menos por enquanto, o mercado é soberano’’, opina o consultor.
Segundo ele, se os frigoríficos tivessem poder suficiente para segurar preço, o boi não teria subido mais de 50% nos últimos dois anos. ‘‘E detalhe: está subindo na safra, com embargo da União Européia e com dólar em queda’’, destaca.
Daqui para a frente, segundo o consultor, a pressão de custo em cima dos frigoríficos vai crescer, principalmente, por parte do exportador, já que além de o valor do boi estar subindo em reais, tem a questão da valorização da moeda. ‘‘Em dólar, o boi está subindo muito mais do que em reais. Então, os frigoríficos adotam uma série de estratégias para, pelo menos, tentar limitar a alta. Fazer isso, realmente eles conseguem: aumentam o raio de compra deles, abatem animal próprio, buscam parcerias estratégicas com produtores maiores’’, enumera Tito Rosa.
Hoje, segundo o consultor da Scot, o Brasil tem entre 1.400 a 1.500 frigoríficos ‘‘com algum tipo de inspeção’’ nas mãos de aproximadamente 800 grupos diferentes. A maior concentração ainda é no Centro-Sul do país, mas nos últimos anos vem migrando para o Centro-Norte. Tito Rosa informa que mais de 60% do abate nacional está sob responsabilidade das ‘‘doze ou quatorze’’ maiores indústrias.
‘‘É um mercado que realmente está em concentração. Mas não é no nível, por exemplo, da laranja, que só tem quatro indústrias no Brasil que compram todo o produto e respondem por 90% da exportação mundial. Os frigoríficos estão num nível um pouco menor e ainda não conseguem regular o mercado. Agora, é óbvio que a concentração aumenta o poder de barganha deles’’, analisa. (G.M.)

mockup