Concentração de milho e soja
Vânia Casado
De Curitiba
O mercado já deu sinais de que milho e soja continuam com demanda assegurada, enquanto o excesso de plantio de outros produtos como arroz e feijão pode resultar na depreciação de preços dessas culturas, acredita Flávio Turra, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
O milho tem demanda assegurada no mercado interno com a expansão das integrações dos setores de aves, suínos e bovinocultura de leite. Com a soja, os produtores paranaenses já são bastante competitivos no mercado externo, que dá liquidez à commoditie, mesmo em períodos de preços baixos como está ocorrendo atualmente. Diante desse quadro, o produtor paranaense vem transitando entre a soja e o milho, cujas áreas somam 4.320.000 hectares no Estado e correspondem a 87,4% da área total cultivada na safra de verão que soma 4.944.700 hectares.
O restante da área, em torno de 600 mil hectares, será dividido entre o cultivo de algodão, feijão das águas, amendoim, arroz de sequeiro e irrigado. Incluindo café, mandioca, cana-de-açúcar, hortaliças, fruticultura, fumo e sericultura, a área agricultável no Estado deve elevar-se para 5,5 milhões de hectares na safra 1999-2000. Mesmo assim, prevalecerão o milho e a soja, que passarão a ocupar 78% da área.
A primeira estimativa de plantio feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) para a safra de verão 1999/2000 no Paraná, aponta o crescimento da área plantada com milho e algodão. A área plantada com soja deve apresentar leve recuo em relação ao ano passado e a área ocupada com feijão da primeira safra cairá.
CompetiçãoA opção pelo milho e soja revela que os médios e grandes produtores, que plantam em escala, estão competitivos em relação ao mercado externo e por isso conseguem rentabilidade na comercialização da produção.
Já os pequenos produtores que plantam outras culturas estão sentindo mais a concorrência externa e também interna, disse Flávio Turra. Isto porque o plantio de algodão e feijão, culturas típicas de pequenos produtores no Paraná, migrou para os Estados da região Centro-Oeste, onde os médios e grandes produtores estão recorrendo à alta tecnologia para manter a produção competitiva.
Apesar da estabilidade na área, a produção de grãos e algodão poderá ser 1% maior, se não houver complicações de clima. A produção esperada pelo Deral é de 14,38 milhões de toneladas na safra 99-2000. Esse volume corresponde a um aumento de 114.600 toneladas sobre a safra passada, que rendeu 14,26 milhões de toneladas. A Ocepar questiona o aumento de produção, devido à alta dos preços dos insumos que aumentaram 44% entre os meses de janeiro e junho. Com isso, os custos de produção dos principais produtos subiram em média 20,7%, conforme estudo feito por Flávio Turra.
Segundo ele, o produtor vai adequar o desembolso com o pagamento dos insumos para essa nova safra, no mesmo patamar dos gastos feitos na safra anterior. Por isso, ele acredita que haverá redução de tecnologia e poderá comprometer a produtividade das lavouras. O produtor vai procurar gastar menos, salientou. Se ele teve um aumento de 20% no custo de produção, vai querer economizar na mesma proporção, para manter a rentabilidade, justificou.
Milho x sojaA área plantada com milho deve aumentar 6%, devendo alcançar 1,62 milhão de hectares. No ano passado foram plantados 1,53 milhão de hectares. Com isso a previsão de produção sobe na mesma proporção, passando para 6,2 milhões de toneladas - um acréscimo de 6% em relação à safra passada. O lavrador animou-se com os preços favoráveis do produto durante todo o ano, mesmo no período de safra. A previsão de produção inferior ao consumo nacional e à necessidade do País recorrer a importações pesou nessa decisão, já que as importações encareceram após a desvalorização cambial.
Apesar do entusiasmo do produtor em aumentar a área de milho, não houve um recuo drástico no plantio de soja, o que revela que no Paraná está acabando a tradicional disputa de área entre milho e soja. Isto está ocorrendo, porque o agricultor prefere plantar variedades precoces de soja na safra de verão e vem ocupando a área com a safrinha de milho, no inverno. A área plantada com soja reduz 1,81%, passando de 2,77 milhões de hectares para 2,72 milhões de hectares. A redução está ocorrendo basicamente em função do aumento dos insumos, menor rentabilidade obtida este ano e da falta de perspectivas de preços melhores no mercado internacional para o próximo ano.
Menos feijão, mais algodãoJá a área de feijão deve cair 8%, passando de 506 mil hectares para 465 mil hectares. O produtor ficou desestimulado com a acentuada queda nos preços do produto e com as perdas provocadas pelas chuvas ocorridas entre setembro e outubro. De janeiro para cá, o preço do feijão carioca caiu 60% e do feijão preto, 43%, por causa do excesso de produção de outros Estados.
O Deral constatou ainda a intenção do produtor em aumentar a área plantada com algodão em 15%, passando de 48 mil hectares para 55,1 mil hectares esse ano.
Os produtores ficaram animados com os preços praticados na safra passada, superiores ao preço mínimo e também com o reajuste do preço mínimo passando de R$7,00 para R$8,00 a tonelada. E também à boa produtividade da cultura, que evoluiu de 1.500 para 2.200 quilos por hectare. Porém, devem ficar na atividade somente os produtores que usam tecnologia, têm acesso ao crédito e são vinculados às cooperativas, para garantir uma comercialização segura, recomendou a técnica do Deral, Vera Zardo.
A área plantada com arroz de sequeiro (65 mil hectares), e arroz irrigado (16 mil hectares) permanece a mesma do ano passado, enquanto o plantio de amendoim cresce 3,23%, passando de 3.100 hectares para 3.200 hectares.





